O nome Matias vem de Matatias – em hebreu Matitias, que significa “dom do Senhor” –, o heroico pai dos Macabeus que, intimado a sacrificar ao ídolo helênico, recusou-se a obedecer e, vendo que um dos judeus se declara disposto a fazê-lo, mata-o e destrói o altar idolátrico, exortando os judeus a permanecerem fiéis à Lei e a participarem de sua insurreição, que resultou na independência dos judeus após 400 anos de dominação estrangeiro.

São Matias era um dos setenta discípulos de Jesus, enviados à sua frente para pregar a boa nova do Evangelho, com poderes extraordinários para curar doentes, expulsar demônios etc. Ele esteve com o Salvador desde o seu batismo por João, até à Ascensão (Atos I, 21, 22).

Está dito nos Atos dos Apóstolos (I, 15-26) que, nos dias seguintes à Ascensão, Pedro propôs aos irmãos reunidos no Cenáculo, num total de cento e vinte, que “É indispensável que – dentre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, a partir do Batismo de João, até ao dia em que nos foi arrebatado para o Alto – um deles se torne, conosco, testemunha da Sua Ressurreição”.

Os discípulos apresentaram então dois dentre eles, que julgavam que poderiam ser objeto da escolha direta feita em nome de Jesus. Os dois candidatos eram os que em particular mais se tinham distinguido andando com o Divino Salvador. O primeiro chamava-se José, o Justo, e o outro Matias.

São Pedro poderia usar de sua autoridade para decidir qual dos dois  escolher, mas preferiu tirar à sorte como manifestação da vontade divina, uso muito frequente na história e vida do povo hebraico. A comunidade levantou então uma oração fervorosa a Jesus. Lembrando-se muito bem como Ele tinha escolhido os seus Apóstolos no Monte das Bem-aventuranças, assim rezaram: “Tu, Senhor, que penetras os corações de todos os homens, indica-nos qual destes dois escolhestes para ocupar, no Ministério apostólico, o lugar abandonado por Judas, afim de ir para o seu próprio lugar” (At 1, 24). Tirando a sorte, esta caiu sobre Matias, que ficou assim agregado aos Onze.

Já como Apóstolo, São Matias recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes com os outros onze, tornando-se mestre infalível da verdade.

Todas as informações adicionais sobre a vida e morte de São Matias são vagas e contraditórias. De acordo com Nicéforo (entre Secs. VIII-IX, Hist. Eccl., 2, 40), ele primeiro pregou o Evangelho na Judeia, depois na Etiópia (não da África, mas Cólquida, agora conhecida como Geórgia Caucasiana). Um marco localizado nas ruínas da fortaleza romana de Gônio, atual Apsaros, nas modernas regiões georgianas de Adjara, indicam que Matias estaria sepultado naquele lugar.

Já a Sinopse, de Santo Doroteu de Tiro (entre séculos III e IV), contém esta tradição: “Matias pregou o Evangelho aos bárbaros e canibais no interior da Etiópia, no porto do mar de Hyssus, na foz do rio Phasis. Ele morreu em Sebastopolis, e foi enterrado lá, perto do Templo do Sol”.

Ainda outra tradição sustenta que Matias foi apedrejado pelos judeus em Jerusalém, e depois decapitado. Diz-se que Santa Helena trouxe suas relíquias para Roma, e que uma parte delas estava em Tréveris.

São Clemente de Alexandria (entre séculos II e III) conservou-nos uma máxima do Santo Apóstolo que diz: “É necessário combater a carne, utilizá-la ou explorá-la com a mortificação. A alma, devemos robustecê-la com a fé e o estudo”.

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