Hoje comemoramos um santo que se tornou muito popular ultimamente, mas do qual sabe-se muito pouca coisa de real. O Martirológio Romano o apresenta em conjunto com outros mártires neste dia: “Em Melitina, na Armênia, os santos mártires Hermógenes, Caio, Expedito, Aristônico, Rufo e Galata, todos coroados no mesmo dia”.

A Armênia, onde está o famoso Monte Ararat no qual, segundo a tradição, encalhou a Arca de Noé no fim do dilúvio, foi sempre uma terra religiosa e de muitos santos, como esses sete mártires mencionados no Martirológio.

Para falar de Santo Expedito, à falta de outros dados, temos que recorrer à legenda mais corrente sobre sua vida. Consta que era comandante-em-chefe da 12ª. Legião romana, conhecida como “Fulminata”, que estava aquartelada em Melitene, na Armênia, e encarregada de proteger o Império das invasões dos bárbaros orientais. Tinha um efetivo de mais de 6.800 soldados. Expedito e boa parte de seus homens, todos armênios, era cristão. Eles foram condenados durante a perseguição de Diocleciano em 19 de abril de 303, sendo ele, como oficial romano, decapitado à espada por recusar-se a adorar os ídolos pagãos.

Entretanto, muitos contestam mesmo sua existência. Pois não há qualquer registro de que existisse uma tradição sobre ele na Antiguidade. Foi só a partir do século VIII, que ele já recebia culto na Germânia e na Sicília. Entretanto, seu culto só se iniciou mais largamente por volta do século XVII, a partir da França ou da Alemanha. Nesse país, ele era representado como um advogado pisando um corvo que gritava cras! cras!, significando as intermináveis delongas nos processos judiciais, contra as quais ele era invocado. Em 1781 foi designado padroeiro de Acireale, na Sicília, e desde então sua devoção se espalhou rapidamente por muitos países.

Sua representação mais comum é a de um soldado romano com traje de legionário, vestido de armadura, túnica curta e manto jogado atrás das espáduas, com postura marcial. Em uma mão sustenta a palma do martírio, e na outra uma cruz que ostenta a palavra hodie, em referência ao episódio do espírito do mal, o corvo que lançava seu grito habitual cras! (amanhã, incentivando o santo à postergar sua conversão) e que é representado debaixo de seu pé.

Santo Expedito encontrou muita popularidade como sendo o Santo invocado para a solução das causas urgentes.

Este hagiógrafo, viajando pelo Sri Lanka, encontrou na região praieira de Negombo, que é a que concentra mais católicos no país, num entroncamento de duas ruas, uma estátua eqüestre do Santo vestido como soldado romano, segurando com uma das mãos as rédeas, e tendo a outra levantada ostentando um crucifico. Isso mostra até onde chegou a popularidade desse santo.

No Brasil sua veneração ganhou corpo nos anos 80, e aqui em São Paulo ele passou a ser muito procurado na capela da Polícia Militar, que tem seu patrocínio.

Infelizmente Santo Expedito passou também a ser utilizado no culto afro-brasileiro, sendo que muitos católicos incautos compram imagens suas em lojas de artigos de macumba.

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