À medida que o socialismo “democrático” ganha popularidade, duas tendências embaraçosas se destacam. Em primeiro lugar, essa nova modalidade de socialismo é muito popular entre pessoas de alta renda e elevado nível de escolaridade, das quais seria de esperar que o desaprovassem. Em segundo lugar, é muito menos popular entre os trabalhadores e os setores menos escolarizados da população que o socialismo afirma representar.
Assim, não surpreende que candidatos democratas que rejeitam o socialismo “democrático” tenham melhor desempenho em áreas de baixa renda do que os candidatos socialistas democráticos, que conquistam os bairros ricos.
O surpreendente é que tantas pessoas se recusem a acreditar nas evidências. Elas se apegam ao desgastado mito de que os pobres sempre gostarão do socialismo, enquanto os ricos o odiarão. Isso ajuda o socialismo a chegar ao poder.
Uma compreensão equivocada da natureza do socialismo
A confusão decorre de uma compreensão equivocada da natureza do socialismo. Pessoas demais veem o socialismo como um meio-termo entre a economia de mercado e o comunismo.
Assim, os ricos veem o socialismo como uma espécie de apólice de seguro para conservar sua riqueza. Ao contrário do comunismo, o socialismo não toma tudo. O governo tira dos ricos apenas o suficiente para deixá-los desconfortáveis. E distribui aos pobres apenas o suficiente para permitir que se tornem dependentes de seu Estado de bem-estar social.
Assim, o socialismo se torna um meio de obter bens e benefícios “gratuitos” aos quais alguns julgam ter direito. Aqueles que possuem mais bens sentem-se aliviados por não terem de abrir mão de tudo, pois sustentam que é melhor ceder um pouco para evitar perder tudo.
Entretanto, essa visão puramente econômica do socialismo não conta toda a história. O socialismo não pode ser reduzido a um pacote de ajuda humanitária ou a uma apólice de seguro. Ele se opõe à própria natureza humana.
O socialismo é metafísico
O socialismo se torna mais fácil de compreender quando é visto não apenas como um sistema econômico ruim, mas também como um sistema metafísico. Ele se apoia em dois princípios metafísicos opostos: igualdade e liberdade. Esses dois componentes vivem em constante tensão, pois cada um tende a suprimir o outro. Os socialistas interpretam esses dois princípios de maneiras contrárias à natureza humana.
Assim, o socialismo sempre impõe a igualdade nivelando a sociedade por meio da regulamentação, da tributação e até do confisco. Os socialistas consideram odiosa a desigualdade em qualquer uma de suas manifestações — sejam diferenças de riqueza, inteligência, lares ou modas. Ressentem-se quando outros têm muito mais do que eles e, por isso, favorecem quaisquer meios de reduzir as diferenças de renda, oportunidades ou posições.
Esse fortalecimento da inveja contraria a virtude da justiça, segundo a qual as pessoas recebem aquilo que lhes é devido, o que inclui a propriedade. Tomar a propriedade de alguém sem justa compensação torna o socialismo oneroso.
Explicando o paradoxo socialista
O mito socialista afirma que os pobres devem invejar a boa fortuna dos outros e que os ricos devem sentir-se culpados por seus próprios esforços e por sua boa fortuna.
Tal interpretação contraria a ideia de harmonia social inerente à natureza humana.
Ela explica, contudo, o paradoxo dos apoiadores ricos e dos adversários pobres do socialismo. Para os ricos que se sentem culpados, o choque de terem seus bens tomados é atenuado pelo fato de possuírem muitas coisas. A perda de sua riqueza terá pouco efeito sobre seu estilo de vida e contribuirá muito para diminuir sua “culpa”.
Por outro lado, os esforços para tornar os pobres invejosos frequentemente fracassam. As pessoas mais pobres que trabalham arduamente para ganhar a vida possuem poucos bens e, portanto, são mais apegadas ao que têm. Tenderão a se opor ao socialismo porque seu senso de propriedade é muito mais desenvolvido e está mais estreitamente ligado à vida cotidiana. É preciso grande esforço para transformá-las em socialistas.
A liberdade como licença
O segundo componente de qualquer modalidade de socialismo é sua afirmação da liberdade. Todos os socialistas sustentam que a liberdade não é a escolha ordenada ao bem, mas uma capacidade ilimitada de satisfazer as paixões desenfreadas.
Para os socialistas, liberdade significa licença. Assim, o socialismo é inimigo de tudo o que limita essa licença ou liberdade, seja a autoridade legítima, os ricos, a família ou a moral cristã. Tudo isso deve ser rotulado como inimigo, pois insiste em restringir a “liberdade”.
Por essa razão, pode-se sempre contar com os socialistas para apoiar qualquer comportamento imoral, como o aborto provocado, o vício homossexual, a promiscuidade e a nudez. Mesmo em suas formas mais totalitárias, o socialismo favorecerá a licença irrestrita como meio de corromper a virtude e a ordem cristã.
Corrompendo ricos e pobres
Tal interpretação contraria a ordem que deveria prevalecer no interior do ser humano, disciplinando as paixões. Assim, as elites decadentes tenderão a favorecer esse lado liberal do socialismo, pois a riqueza amplia e facilita o exercício da licença irrestrita. O socialismo sempre apoiará os hábitos promíscuos daqueles que subverte. Cultivará falsas elites, ideias e artes extravagantes que favorecem as paixões desenfreadas, ao mesmo tempo que destroem as estruturas que sustentam a sociedade.
Embora os segmentos mais pobres da sociedade também sejam suscetíveis à corrupção moral, eles tendem a recorrer às estruturas da família e da religião para enfrentar as dificuldades com que se deparam. Muitas vezes, têm uma visão da vida mais pautada pelo bom senso, que rejeita as propostas extravagantes da moda e do vício que ameaçam seu modo de vida.
Assim, as ideias socialistas tendem a exercer menor influência sobre as classes mais baixas em razão de seu apego às estruturas tradicionais. Quando essas classes são separadas de suas raízes, como ocorreu durante a Revolução Industrial, o socialismo encontra terreno mais fértil.
Todos são alvos
Ninguém está isento dos perigos do socialismo. Enquanto existirem o orgulho e a sensualidade, qualquer classe social estará aberta a suas tentações. As circunstâncias podem tornar uma classe mais suscetível do que outras. Contudo, o fator determinante para alguém ser socialista não é sua renda, mas sua perspectiva moral.
Por essa razão, o cristianismo é um inimigo natural do socialismo, pois insiste em que as pessoas ajam de acordo com as leis de Deus e da natureza humana. A natureza decaída sempre tenderá ao socialismo.
De fato, quanto mais decadente for a sociedade, maior será a atração exercida pelo socialismo.
A prática da virtude cristã é a maneira mais eficiente de combater o socialismo. O socialismo não consegue sobreviver onde as pessoas admiram a ordem de Deus no universo e amam e obedecem à Sua Lei.
O socialismo não exerce atração sobre os cristãos que encontram realização e verdadeira liberdade agindo de acordo com sua natureza, e não se submetendo à escravidão das paixões.
Em última análise, o socialismo é um problema moral.
Fonte: The American TFP — https://www.tfp.org/why-do-so-many-rich-people-support-socialism




