“A tarefa da policia é bater no povo”, diz delegado chinês aos populares indignados

    “A tarefa da polícia é bater no povo”, berra o delegado a cidadãos desarmados que protestavam indignados contra a violência sofrida.

    Vozes femininas berram: “devolva meu celular”. A confusão é tão grande que o tradutor não consegue acompanhar.

    O fato foi gravado em Suzhou, na província chinesa de Jiangsu, tendo o vídeo ‘viralizado’ vertiginosamente, atingindo milhões de visualizações na Internet.

    “Se a polícia não bate no povo, para que vamos mantê-la?” – pergunta ameaçadoramente o delegado. “A polícia e o governo são máquinas violentas”, acrescenta, numa tentativa de dispersar os cidadãos indignados.

    “Devolva meu celular”, volta a bradar a mulher e a gritaria fica maior. Os rodapés em inglês no vídeo são do “South China Morning Post”, o mais antigo jornal de Hong Kong, ligado ao “The Wall Street Journal”.

    “Nós dizemos a verdade. Os policiais são os assassinos [a mando] do governo”, escrevia um cidadãos chinês no microblog Weibo (equivalente chinês do Twitter).

    O caso filmado teria começado quando um residente foi apresentar queixa na delegacia, mas a imprensa oficial silencia ex oficio os detalhes das ocorrências prejudiciais ao regime.

    O “Nanfang Daily”, jornal oficial do Partido Comunista em Guandong, tentou abafar o caso com a orwelliana desculpa de que o delegado havia sido enviado para “refletir profundamente” sobre as imprudências que falou.

    A violência policial é defendida nos livros escolares na China, e os manuais de treinamento ensinam aos oficiais que “a polícia é o instrumento do governo para praticar a violência”, explica Vicky Feng, jornalista residente em Hong Kong.

    Nas redes sociais o argumento oficial foi objeto de riso de reprovação. Um fato tão escandaloso não se resolve com “reflexão” como num convento de freiras, mas com uma “investigação profunda” dos fatos.