Agropecuária e Segurança Nacional

O Brasil rural

Hélio Brambilla

A cadeia agropecuária do Brasil, hoje rotulada de agronegócio, se inicia a partir do momento em que o agricultor coloca a semente na terra, e, no caso da pecuária, do nascimento de um bezerrinho.

Sob o impulso da natureza criada e assistida por Deus, tal processo se desenvolve e, ao chegar ao final de seu ciclo, terá movimentado quase 40% da economia nacional e gerado 38 milhões de emprego.

Paralelamente a estes empreendedores do campo vêm o comércio, a indústria e os serviços.

Se somarmos os 38 milhões de empregos do campo com os 4 milhões de proprietários, teremos um universo 42 milhões de brasileiros produzindo, comprando e vendendo através da rede comercial que, por sua vez, faz girar toda a roda da economia, além de aportar divisas.

Nossa defesa da propriedade privada e seu corolário a livre iniciativa se explica em boa medida dentro desse contexto de o homem tirar de si e da natureza tudo o que ele precisa para viver.

Inteligente, ele procura se prover para o futuro incerto. Quanto mais estiver ancorado em terra firme, mais segurança ele terá para levar a cabo seus empreendimentos, pois o inseguro não vai a lugar nenhum.

O bom senso e a razão mostram ser um imperativo tratarmos a agropecuária como uma questão de segurança nacional, caso contrário poderíamos nos transformar num país análogo a um subsaariano.

Isso significa defender e lutar para que nossas instituições sejam seguras. Tanto mais quanto o Brasil conquista a cada dia novas posições no ranking internacional.

Seguindo o caminho trilhado por nossos maiores, o Brasil adulto vai ocupando o espaço que lhe é devido no concerto das nações, com a conseqüente responsabilidade que a maioridade representa.

Com efeito, postas as nossas vastidões e o nosso clima e ancorados de modo especial no empreendedorismo rural –– constituímos a oitava economia do mundo.

Não sem razão, com a fina capacidade de observação francesa, o insuspeito jornal de esquerda “Le Monde” observou em meados de 2009 como que passando um recado ao governo brasileiro:

“Lula compreendeu rapidamente que cometeria um erro grosseiro dando as costas ao poderoso setor do agronegócio. Mesmo em nome da justiça social e do acesso à terra… Não se mata a galinha dos ovos de ouro”.