Os pesquisadores Karen Wynn e Paul Bloom, do Centro de Cognição Infantil da Universidade de Yale – conhecido como “The Baby Lab” –, constataram que bebês podem distinguir o bem do mal.

A pesquisa foi realizada com bebês de três e seis meses, com a apresentação de um pequeno teatro de marionetes com três bonecos lado a lado e uma caixa contendo brinquedos. O boneco do centro luta para abrir a tampa da caixa. Um boneco, vestido de amarelo, chega e o ajuda gentilmente. A cena se repete, mas desta vez o outro boneco, vestido de azul, fecha a caixa num golpe rude e grosseiro. Bom comportamento… Mau comportamento…[1]

Em mais de 80% das vezes em que o experimento foi realizado, quando ambos os bonecos foram apresentados aos bebês e estes tiveram a chance de escolher um deles, selecionaram o boneco “gentil”.

Segundo Paul Bloom, a maioria das pessoas tem noção do bem e do mal, exceto os psicopatas.Os seres humanos nascem com uma moralidade inata, um senso de bem e de mal que é criado no osso. Eu sei que essa afirmação pode soar estranha, mas agora é apoiada por pesquisas em vários laboratórios”[2], declarou.

O senso do ser

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, por usa vez, afirma que “a primeira operação mental, que mais interessa à criança, é verificar a existência do perfeito no perfectível”.

Tal experiência com bebês corrobora o pensamento de Dr. Plinio, que chamou isso de “senso do ser”. Ele assim o descreve:

“O senso do ser é a matriz primeira em função da qual a criança fará o seu trabalho intelectual. A criança nota não apenas que existe, mas que todo um mundo existe. Há o ser. Nisto consiste o senso do ser: as coisas existem e formam um todo.

 “No senso do ser de que algo é, e de que eu mesmo sou congruente com o Universo, está [em germe] a perfeição do amor de Deus. O conceito de Deus não é inato no homem, mas o senso do ser é tão amplo, e a luz que ele tem é tal, que o homem, pensando retamente, não precisa caminhar muito para chegar ao conceito de Deus”.

O senso do ser não exige o pleno uso da razão, mas é partir dele que a pessoa chegará ao conhecimento e a explicitações no futuro.

Da. Lucília Corrêa de Oliveira com o seu filho Plinio nos braços
Da. Lucília Corrêa de Oliveira com o seu filho, Plinio, nos braços

A criança tem certezas inatas e seu olhar perscruta o ambiente que a cerca. Ela observa a mãe que a alimenta, que lhe dá carinho, e já começa a ver, julgar e agir, como se percebe pela escolha do boneco “bom”. “Bebês e crianças pequenas podem julgar a bondade e a maldade das ações dos outros; eles querem recompensar os bons e punir os maus, agem para ajudar os aflitos, sentem compaixão, culpa e raiva justa”, declarou Paul Bloom.

“A criança tem uma certeza que é uma força de lógica, a qual constitui uma das maiores joias do espírito humano e é o contrário do egoísmo pútrido do quinquagenário desabusado. Dizer à criança ‘comece duvidando’, mata nela algo de precioso, porque não se começa duvidando, uma vez que ela tem certezas originárias que não permitem a dúvida”, observa ainda Dr. Plinio.[3]


Referências:

[1] https://www.youtube.com/watch?v=FRvVFW85IcU&feature=youtu.be

[2] https://edition.cnn.com/2014/02/12/opinion/bloom-babies-right-wrong/?no-st=1566571917

[3] – As citações do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira são extraídas do O Universo é uma Catedral – Excertos do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira recolhidos por Leo Daniele, Edições Brasil de Amanhã, São Paulo, 1997, páginas 236 a 240.

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