Alguns estudiosos e especialistas em educação infantil afirmam que ao nascer já traríamos na herança genética as qualidades e capacidades básicas do ser humano: “Os fatores inatos são mais poderosos na determinação das aptidões individuais e do grau em que estas podem se desenvolver do que a experiência, meio social e a educação. O papel do meio social, segundo esta perspectiva inatista, se restringe a impedir ou a permitir que essas aptidões se manifestem.”[1]

Alfred Binet, médico que investigou a psicologia da criança e do deficiente, por sua vez, concebia a inteligência como uma aptidão geral que não dependia das informações adquiridas no decorrer da vida. Segundo ele, o que define a inteligência de um indivíduo não é a quantidade de conhecimentos que ele possui, mas sua capacidade de julgar, compreender e raciocinar. E essas capacidades não podem ser aprendidas, mas ao contrário, são biologicamente determinadas pela herança que recebemos de nossos pais.

Jean William Fritz Piaget é um biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço que se dedicou a pesquisar como a criança elabora o conhecimento para construir sua inteligência. Ele afirmou que a criança nasce equipada de reflexos. O contato com o meio físico e social no qual está inserida faz com que ela amplie ou modifique tais reflexos, ou adquira novos esquemas de ação.

Piaget constatou que o indivíduo só recebe determinado conhecimento se for capaz de recebê-lo. O novo conhecimento só é recebido se tiver um conhecimento anterior que possibilite a assimilação e a acomodação.

Esta noção, ou “conhecimento anterior”, é chamado senso do ser e serve de matriz para todo o conhecimento futuro com o qual Deus proporciona à criança condições para ver, julgar e agir diante do mundo novo que se lhe vai desvendando passo a passo.

Esse “conhecimento anterior” de que fala Piaget corrobora o pensamento do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, para quem “o elemento primeiro do senso do ser é o senso de que eu sou, mas que de fato há algo anterior. A matéria-prima para a noção de ser é inata. Ela se desperta no contato com a realidade. É um conhecimento germinativo primeiro, é o conhecimento que o ser tem de que ele é. E algo, que não é ele, é também. Tem a capacidade de refletir: ele se conhece e conhece a coisa, e refletindo desenvolve o primeiro conhecimento”.[2]

O ser é aquilo que há de mais íntimo, mas também de mais nobre em tudo. É o ser que confere realidade àquilo que existe. Aquilo que eu chamo ser – disse São Tomás – é a mais perfeita de todas as coisas.”

O homem pode perder o senso do ser através de um pecado de espírito que Dr. Plinio chamou de “pecado criteriológico”. “Não se perde a noção de ser por uma negação metafísica frontal,  mas por uma recusa do espírito que leva a afrouxar e a negar a importância do princípio de contradição e do princípio de identidade” – observou.[3]

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[1] Fontana (1997, p. 12)

[2] MNF, 04 de maio de 1988

[3] Roberto de Mattei: Plinio Corrêa de Oliveira – Profeta do Reino de Maria, pág. 54 a 57.

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