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A CNBB, através de membros do Conselho Permanente, lançou uma Mensagem ao Povo brasileiro sobre as eleições de 2026.

“A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos. Movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-Lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum.” (…)

Digamos uma palavra sobre isso. Caberia aqui um “mea culpa” que todos nós, católicos, aguardamos: pedido de perdão por tantos padres, bispos terem apoiado o PT, Lula e outros candidatos de esquerda – durante mais de 20 anos. É fato notório, registrado em todos os jornais: o PT foi gestado nas sacristias, engrossando as CEBs as suas fileiras em todo o Brasil. Há um “mea culpa” a ser feito, o Brasil, a História o aguardam.

Denunciar o erro

Passemos a outro ponto. A Igreja não tem a obrigação de denunciar o erro? Então, pode Ela omitir-se em denunciar candidatos pró aborto, pró invasão de propriedade? Denunciar candidatos que colocam o Estado acima da família, contra o pátrio poder?

 Lembramos aqui do papel histórico da Liga Eleitoral Católica (LEC) nas eleições para a Constituinte de 1934. A LEC recomendava, sim, candidatos católicos que se comprometiam em defender os postulados católicos na Constituinte: proibição do divórcio, ensino religioso nas escolas públicas, assistência religiosa nas Forças Armadas, o direito de voto aos religiosos – entre outros pontos.

Recordemos, também, que a LEC fundou núcleos pelas dioceses do Brasil, e nesse particular teve um impulso direto do Cardeal Leme. Em consequência, as reivindicações da Igreja na Constituinte foram aprovadas em 1934. Triunfou o bem sobre o mal. Inúmeras teses universitárias, livros e depoimentos de insuspeitos políticos o atestam. Oswaldo Aranha, braço intelectual de Getúlio, declarou: “A LEC impediu o Brasil de se desviar para a esquerda”.

Essa “imparcialidade” aparente que a CNBB declara face a candidatos não a exime de denunciar aqueles cuja pauta se volta contra os princípios morais, contra a Lei Natural.

Acusações contra quem?

Voltemos à Nota: “À luz do Evangelho, não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news). Não é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas.” (1)

A esquerda petista está no Poder por 20 anos. Essas acusações são contra a administração petista? Corrupção, compra de votos, uso indevido de recursos públicos – perguntamos, são acusações contra a ditadura petista? Por que não o dizem claramente?

Quais petições, cartas, documentos pode a CNBB apresentar ao público, durante esses 20 anos petistas, denunciando esses abusos? Que a CNBB fez em defesa dos direitos humanos dos condenados pelo 8 de janeiro?

Infelizmente, tudo isso parece uma retórica tardia e sem consequências práticas. São João Batista saiu a público contra Herodes: “não te é lícito”!

Obsessão pela igualdade

“À luz do Evangelho, não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social…” Mas, seriam os 20 anos petistas que causaram essa “escandalosa desigualdade social”? Os rombos dos escândalos financeiros, incluindo a lesão dos aposentados do INSS? 

Faria bem, a nota da CNBB esclarecer que a desigualdade é um bem, quando harmônica e proporcionada. A desigualdade que havia no mundo pagão era desumana. 

Ora, ensina “Santo Tomás ensina que a diversidade das criaturas e seu escalonamento hierárquico são um bem em si, pois assim melhor resplandecem na criação as perfeições do Criador. E diz que tanto entre os Anjos quanto entre os homens, no Paraíso Terrestre como nesta terra de exílio, a Providência instituiu a desigualdade. Por isso, um universo de criaturas iguais seria um mundo em que se teria eliminado em toda a medida do possível a semelhança entre criaturas e Criador. 

“Odiar, em princípio, toda e qualquer desigualdade é, pois, colocar-se metafisicamente contra os melhores elementos de semelhança entre o Criador e a criação, é odiar a Deus.” (2)

A desigualdade existente hoje, por exemplo, nas mordomias dos altos escalões dos três Poderes soa desumana; é disso que trata a CNBB?

O sal que não salga

Como católico, a leitura da Nota da CNBB me causa tristeza. Falou e é como se não tivesse falado. Poderia ter sido clara, direta, objetiva e cumprindo a função da “chave de prata”: poder indireto sobre as coisas temporais na medida em que afetem a salvação das almas.

Faz-me lembrar as palavras de Nosso Senhor a respeito do sal que não salga. Da luz que existe para iluminar e não ilumina.

O ideal de sociedade que a Santa Igreja nos indica é a sociedade católica, no dizer de São Pio X, não precisa ser inventada; precisa ser apenas restaurada. Essa restauração começa para conversão, conforme pediu Nossa Senhora em Fátima. Essa é a missão do Clero, da CNBB.

Nossa Senhora Aparecida salve o nosso Brasil.

 

Notas: 

(1) https://www.cnbb.org.br/wp-content/uploads/test-for-pdf/MENSAGEM-DA-CNBB-AO-POVO-BRASILEIRO-ELEICOES-2026.pdf

(2) Cfr. Contra os Gentios, II, 45; Suma Teológica, I, q. 47, a. 2; Cfr. Suma Teológica, I, q. 50, a. 4; Cfr. op. cit., I, q. 96, a. 3 e 4; Cfr. Pio XII, Radiomensagem de Natal de 1944 – Discorsi e Radiomessaggi, vol. VI, p. 239.

 

 

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