Como se fabrica uma eleição sob o comando de Pequim

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Há fórmulas para se “fabricar” o resultado de eleições.

Venezuela, Cuba, Nicarágua são exemplos de não transparência.

Uma modalidade, sem dúvida, foi usada na URSS por 70 anos: ausência de pleitos livres, de partidos de oposição, silenciamento de opositores. Método copiado pela revolução comunista chinesa, também por 70 anos. RPC, república popular da China … onde votam apenas os delegados do PCCh. O que significa ai a palavra popular, ninguém sabe.

O “povo” na Declaração de Xangai

A Declaração de Xangai, assinada por Nixon e líderes do PCCh, 1972, dá bem o sentido da palavra “povo”:

Comentou o Prof. Plinio, na Folha: “O que a “Declaração de Xangai” entende por “povo chinês“? São as multidões delirantes de entusiasmo pelo comunismo, das quais nos falam a imprensa, o rádio e a TV de Pequim? Até que ponto são autênticas essas multidões? Até que ponto se identificam com o próprio povo? — Sabido que toda propaganda oficial comunista mente sem acanhamento quando se trata de afirmar a solidariedade do povo à ideologia do Partido, a pergunta é inevitável.

“Somos, assim, levados a suspeitar vivamente que o “povo chinês” com o qual os norte-americanos vão “aprofundar a compreensão”, não é senão o PC. E que os contactos dos yankes se farão, não com representantes da maioria autêntica dos chineses, mas com equipes de cientistas, técnicos, esportistas e jornalistas, filiados ao partido oficial. Com fanáticos, portanto, ou com pobres vítimas da lavagem cerebral ou do pânico.” https://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP%2072-03-12%20Yalta.htm

O “povo” não votou nas eleições de Hong Kong, 2022

“HONG KONG – John Lee, um chefe de segurança linha-dura que supervisionou uma repressão ao movimento pró-democracia de Hong Kong, foi eleito o próximo líder da cidade no domingo em uma votação feita por um comitê amplamente pró-Pequim.
Lee foi o único candidato e venceu com mais de 99% dos votos, em que quase todos os 1.500 membros do comitê foram cuidadosamente examinados pelo governo central em Pequim.

“Ele substituirá a atual líder Carrie Lam em 1º de julho. Seu quinto mandato foi marcado por enormes protestos pró-democracia pedindo sua renúncia”.

As notícias dos protestos pró liberdade, em Hong Kong, foram comentadas no IPCO. O algoz dessa repressão de segurança que anulou praticamente todas as dissidências foi exatamente o “escolhido” do PCCh para liderar Hong Kong e substituir Carrie Lam.

Só candidatos pró Pequim

“A eleição seguiu grandes mudanças nas leis eleitorais de Hong Kong no ano passado para garantir que apenas “patriotas” leais a Pequim possam ocupar cargos. A legislatura também foi reorganizada para eliminar as vozes da oposição”, comenta LosAngelesTimes.

Os membros do comitê votaram em votação secreta e os 1.416 votos de Lee foram o maior apoio de todos os tempos para o cargo de liderança da cidade.

O papel de Lee como o próximo líder (ditador pró Pequim) de Hong Kong despertou a preocupação de que Pequim possa apertar ainda mais seu controle. Ele passou a maior parte de sua carreira no serviço público na polícia e no departamento de segurança e é um firme defensor de uma lei de segurança nacional imposta a Hong Kong em 2020 para reprimir a dissidência.

Como secretário de segurança durante os confrontos de 2019 entre a polícia e os manifestantes, ele supervisionou o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha e prisões que extinguiram novos protestos.

Como se lembram nossos leitores o governo de Pequim decretou a Lei de Segurança Nacional para Hong Kong que lhe permitiu prender ou silenciar os principais líderes pró democracia. Um rigoroso critério de seleção de candidatos excluia todos os líderes pró democracia.

“Mais de 150 pessoas foram presas sob a Lei de Segurança de Hong Kong, que proíbe secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras nos assuntos da cidade. Quase todos os ativistas pró-democracia proeminentes foram presos, com outros fugindo para o exterior ou sendo intimidados ao silêncio”, comenta LosAngelesTimes.

Pequim violou o Acordo com o Reino Unido

O Acordo com o Reino Unido, firmado em 1997, dava a Hong Kong liberdade por 50 anos. Esse Acordo foi violado por Pequim que elaborou a Lei de Segurança Nacional para Hong Kong — que lhe permitiu prender, silenciar a oposição.

O Ocidente, apesar de alguns protestos, se submeteu à tirania de Xi Jinping. Hong Kong foi abandonada à própria sorte.

Uma eleição calculada, fabricada, forjada nos moldes do PCCh. Um dos modos de forjar um resultado de eleições.

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Essa é a China aliada da Rússia, mantenedora da Venezuela e algoz de Hong Kong. A perseguição aos católicos chineses é comprovada por décadas e continuam em pleno 2022. Mas é a China … não se pode falar contra a ditadura chinesa. https://ipco.org.br/mais-10-padres-perseguidos-na-china-e-o-acordo-com-o-vaticano/

Fonte: https://www.latimes.com/world-nation/story/2022-05-08/beijing-loyalist-john-lee-elected-as-hong-kongs-next-leader

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