O pontificado do bem-aventurado Pio IX foi marcado, entre outros fatores, pela clara noção entre os ultramontanos, do que era a Revolução carbonária e anti católica do século XIX. Sua face hedionda se pôs a nu na invasão dos territórios pontifícios, no ódio à Santa Igreja, na rejeição do Papado. Sentado na Cátedra de Pedro estava um contra revolucionário, o Papa Pio IX. E, por essa razão, especialmente odiado.

Nossos leitores já conhecem o conceito de Revolução, exposto pelo Prof. Plinio, em sua obra Revolução e Contra Revolução. Vejamos agora, como essa hidra era descrita e caracterizada no século de Pio IX.

A definição de Revolução no século XIX

Quem és tu, ó Revolução, inquiria Mons. Jean-Joseph Gaume: (1)

“Eu não sou aquilo que as pessoas pensam de mim. De mim, muitos falam, mas poucos me conhecem. Eu não sou o carbonarismo, que conspira na sombra, nem a rebelião que brame nas ruas, nem a mudança da monarquia em república, nem a substituição de uma dinastia por outra, nem a momentânea convulsão da ordem pública.

“Não sou os urros dos Jacobinos, nem os furores da Montanha, em os combates das barricadas, nem as pilhagens, nem os incêndios, nem a lei agrária, nem a guilhotina, nem os afogamentos. Não sou Marat, nem Robespierre, nem Babeuf, nem Mazzini, nem Kossouth. Todos esses são meus filhos (eu diria, escravos) mas essa não sou eu.”

“Todas essas coisas são obra minha, mas não sou eu. Todos estes homens e todas estas coisas são fatos transitórios, e eu sou um processo permanente. Eu sou o ódio contra toda e qualquer ordem social e religiosa que não esteja estabelecida pelo homem e na qual ele não seja o rei e deus ao mesmo tempo; eu sou a proclamação dos direitos do homem (Revolução Francesa) contra os direitos de Deus, sou a filosofia da revolta, a política da revolta, a religião da revolta; sou a negação armada; sou a fundaçaõ do Estado religioso e social sobre a vontade do homem, em lugar da vontade de Deus; numa palavra, sou a anarquia; porque quero ver Deus destronado e submetido ao homem.

“Eis o motivo porque me chamam Revolução, isto é, a desordem, porque eu coloco em cima aquele que, segundo a lei eterna, deveria estar em baixo; e ponho em baixo Aquele que deveria estar em cima”.

Atualizando o quadro: o livro Revolução e Contra Revolução

Essa mesma Revolução, descrita por Mons. Gaume em meados do século XIX, revela no século XX, novos desdobramentos, sua nova face.

Assim descreve o Prof. Plinio, um século depois (1959), a Essência da Revolução:

“Damos a este vocábulo o sentido de um movimento que visa destruir um poder ou uma ordem legítima e pôr em seu lugar um estado de coisas (intencionalmente não queremos dizer ordem de coisas) ou um poder ilegítimo.”
“A Revolução tem derrubado muitas vezes autoridades legítimas, substituindo-as por outras sem qualquer título de legitimidade. Mas haveria engano em pensar que ela consiste apenas nisto. Seu objetivo principal não é a destruição destes ou daqueles direitos de pessoas ou famílias. Mais do que isto, ela quer destruir toda uma ordem de coisas legítima, e substituí-la por uma situação ilegítima.

“E  ´ordem de coisas´ ainda não diz tudo. É uma visão do universo e um modo de ser do homem, que a Revolução pretende abolir, com o intuito de substituí-los por outros radicalmente contrários.”

“Com efeito, a ordem de coisas que vem sendo destruída é a Cristandade medieval. Ora, essa Cristandade não foi uma ordem qualquer, possível como seriam possíveis muitas outras ordens. Foi a realização, nas circunstâncias inerentes aos tempos e aos lugares, da única ordem verdadeira entre os homens, ou seja, a civilização cristã.”

A IVa Revolução e o Sínodo da Amazônia

Posto que o comunismo é a IIIa Revolução, o Prof. Plinio aponta em seu livro para o perfil que se delineava no horizonte, com a nascente IVa Revolução.

A IVa Revolução “deverá ser a derrocada da ditadura do proletariado em conseqüência de uma nova crise, por força da qual o Estado hipertrofiado será vítima de sua própria hipertrofia. E desaparecerá, dando origem a um estado de coisas cientificista e cooperativista, no qual – dizem os comunistas – o homem terá alcançado um grau de liberdade, de igualdade e de fraternidade até aqui insuspeitável.”

“Como? – É impossível não perguntar se a sociedade tribal sonhada pelas atuais correntes
estruturalistas (pelo Sínodo da Amazônia, acrescentamos) dá uma resposta a esta indagação.”

“Bem entendido, o caminho rumo a este estado de coisas tribal tem de passar pela extinção dos velhos padrões de reflexão, volição e sensibilidade individuais, gradualmente substituídos por modos de pensamento, deliberação e sensibilidade cada vez mais coletivos. É, portanto, neste campo que principalmente a transformação se deve dar.”

O Novo Normal, o Great Reset e o Sínodo da Amazônia

A “extinção dos velhos padrões de reflexão, volição e sensibiidade individuais”, a que se refere o Prof. Plinio, está em plena atualidade e execução durante essa pandemia do vírus de Wuhan. Também o Sínodo da Amazônia aponta para a vida tribal como um modelo para nossa sociedade.

Maria Aparecida Rhein Schirato, Doutora e Mestra USP declara: “O novo normal, na verdade, seria a proposta de um novo padrão que possa garantir nossa sobrevivência.”

“O que está sendo proposto, agora, é um kit Covid. Um kit de segurança. Vamos ter que andar com máscara, mais contidos, menos expansivos, como se estivéssemos no frio. Guardando certa distância, talvez com luvas e, de certa forma, nos primeiros dias, vamos achar tudo muito estranho, mas a garantia da segurança de que não vamos ficar doentes e não transmitiremos doenças fará com que assimilemos esse kit de uma forma indolor.”

 

Continua a notícia: “Ou seja, entraremos em um novo padrão de normalidade. Reforçando, normalidade é o padrão que me garante sobrevivência dentro de um grupo. Logo vamos nos habituar com esse kit Covid e, certamente, sentiremos falta se não o utilizarmos.”

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Soros: “O bilionário de esquerda George Soros indicou que a pandemia de coronavírus abre o caminho para mudanças sociais anteriormente consideradas impossíveis,  chamando-a de “a crise da minha vida”. Soros viveu a Segunda Guerra Mundial ainda jovem.” (2)

Joe Biden: “Acho que agora temos uma oportunidade de mudar significativamente a mentalidade do povo americano”, disse Biden – “coisas que eles não estavam prontos para fazer nem dois, três anos atrás”.
“O candidato presidencial democrata Joe Biden voltou a falar sobre a pandemia de coronavírus em relação à ação política sobre as mudanças climáticas, desta vez durante um evento de arrecadação de fundos em 23 de abril”. (3)

Vaticano: “Pior ainda, as soluções alternativas propostas pelo Papa Francisco correspondem aos sonhos coletivistas mais avançados dos antropólogos neomarxistas que veem na vida tribal das selvas o modelo do mundo futuro”.

“Segundo o documento (Querida Amazônia), a verdadeira qualidade de vida exprime-se no “bem viver” indígena (n° 8, n° 26 e n° 71), o qual realiza essa utopia de harmonia pessoal, familiar, comunitária e cósmica, e encontra sua expressão numa vida austera e simples e no modo comunitário de conceber a existência (n° 71): “Tudo é compartilhado, os espaços particulares — típicos da modernidade — são mínimos […]. Não há espaço para a ideia de indivíduo separado da comunidade ou de seu território” (n° 20). (4)

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Do comunismo, que personifica a III Revolução, do Novo Normal sugerido pelo Vaticano, que é a realização da IV Revolução, nos livre a Divina Providência.

A missão do Brasil, confiante no Cristo Redenor e em Nossa Senhora Aparecida, será fazer frente à essa nova Revolução, rotulada talismanicamente de Great Reset e Novo Normal.

O Brasil será grande, sim, nas vias dos Valores Morais e exemplo para o Mundo Livre.

 

(1) Pio IX, Roberto De Mattei, Livraria Civilização Editora, Porto

(2) https://ipco.org.br/coronavirus-a-ponta-do-iceberg-joe-biden-soros-vem-a-ocasiao-para-esquerda/

(3) https://ipco.org.br/joe-biden-confessa-usar-do-panico-coronavirus-para-impulsionar-a-revolucao/

(4) https://ipco.org.br/querida-amazonia/

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