Formação: cinco caracteres da Revolução; Cristandade Vs. Great Reset

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Prosseguimos os comentários sobre o livro Revolução e Contra Revolução, que por simplificação chamamos de R-CR.

Vimos a Introdução, os Cap I e II: que mostram a crise do homem ocidental e cristão. Agora, os caracteres dessa crise.

5 caracteres da Revolução

Capítulo III – Caracteres dessa Crise

“Por mais profundos que sejam os fatores de diversificação dessa crise nos vários países hodiernos, ela conserva, sempre, cinco caracteres capitais:

“1. É UNIVERSAL

“Essa crise é universal. Não há hoje povo que não esteja atingido por ela, em grau maior ou menor.”

“A idéia da universalidade da Revolução é muito clara nos filhos da Revolução. Ela é obscura naqueles que são mais ou menos filhos da Contra-Revolução.”

Essa constatação do Prof. Plinio parece ter sido vencida, em parte, com a universalidade dada à Pandemia da Covid e os métodos socialistas aplicados igualmente em todo o Ocidente.

“2. É UNA

“Essa crise é una. Isto é, não se trata de um conjunto de crises que se desenvolvem paralela e autonomamente em cada país, ligadas entre si por algumas analogias mais ou menos relevantes. “Quando ocorre um incêndio numa floresta, não é possível considerar o fenômeno como se fosse mil incêndios autônomos e paralelos, de mil árvores vizinhas umas das outras. “A unidade do fenômeno “combustão”, exercendo-se sobre a unidade viva que é a floresta, e a circunstância de que a grande força de expansão das chamas resulta de um calor no qual se fundem e se multiplicam as incontáveis chamas das diversas árvores, tudo, enfim, contribui para que o incêndio da floresta seja um fato único, englobando numa realidade total os mil incêndios parciais, por mais diferentes, aliás, que cada um destes seja em seus acidentes. “A Cristandade ocidental constituiu um só todo, que transcendia os vários países cristãos, sem os absorver. Nessa unidade viva se operou uma crise que acabou por atingi-la toda inteira, pelo calor somado e, mais do que isto, fundido, das sempre mais numerosas crises locais que há séculos se vêm interpenetrando e entreajudando ininterruptamente. “Em conseqüência, a Cristandade, enquanto família de Estados oficialmente católicos, de há muito cessou de existir. “Dela restam como vestígios os povos ocidentais e cristãos. E todos se encontram presentemente em agonia, sob a ação deste mesmo mal.”

Há meio século, constatava o Prof. Plinio: “Praticamente, a Cristandade morreu. Restam uns povos católicos, mas os Estados não são mais católicos, as nações não são mais católicas. “Mas o que é que levou a isso? Foi um só mal, foi uma só doença que produziu uma mesma ruína.

Então, a Revolução é, além de universal, una. É a mesma.” “Quer dizer, numa árvore pode ter pegado fogo inteiramente, numa outra menos combustível o fogo pode ser mais lento, pode acontecer de tudo. Mas é um incêndio só. Assim também essas mil revoluções e crises que há no mundo, pelo mesmo argumento são uma crise só.”

A agenda de gênero pregada pela esquerda nos EUA, na Europa ou no Brasil é a mesma. O mesmo se diz do aborto, do cerceamento da liberdade para a Santa Igreja. As blasfêmias, em todos os países livres, constituem mais uma prova da unidade da Revolução.

“Realmente, a Cristandade era um todo, que tinha na cúpula o Papa e o Imperador do Sacro Império Romano Alemão, e foi esse conjunto que pegou fogo. De maneira que é um incêndio só.” “Quer dizer, a cristandade sempre foi definida como a família dos povos que professam oficialmente a religião católica. Não há mais quase povo que professe oficialmente a religião católica.”Os planos do Great Reset, da Nova Ordem Mundial se inserem perfeitamente nessa antiCristandade, laica, digital, ditatorial, totalitária e despersonalizante. Infelizmente, até o Vaticano deu seu impulso e sua bênção a esse Great Reset.

“Em uma entrevista publicada em 1 de julho pelo Our Sunday Visitor, pe. Augusto Zampini, secretário assistente do Dicastério do Vaticano para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral e coordenador da força-tarefa COVID-19, usava exatamente o mesmo idioma. “Precisamos de líderes nos setores público, privado e civil para pressionar o botão de reset – para, de uma vez por todas, perceber que a maneira como vivemos nossas vidas até agora não é sustentável”, disse ele.” https://ipco.org.br/enquanto-o-vaticano-se-eclipsa-novos-papas-oms-great-reset-imporao-a-ditadura/

“3. É TOTAL

“Considerada em um dado país, essa crise se desenvolve numa zona de problemas tão profunda, que ela se prolonga ou se desdobra, pela própria ordem das coisas, em todas as potências da alma, em todos os campos da cultura, em todos os domínios, enfim, da ação do homem.”

“Quer dizer, essa crise abrange tudo, por ser religiosa. O religioso é o fundamento de tudo.”

Portanto, inteligência, vontade, sensibiidade; ela abarca a cultura e todos os domínios da ação do homem.

4. É DOMINANTE

“Encarados superficialmente, os acontecimentos dos nossos dias parecem um emaranhado caótico e inextricável, e de fato o são de muitos pontos de vista. Entretanto, podem-se discernir resultantes, profundamente coerentes e vigorosas, da conjunção de tantas forças desvairadas, desde que estas sejam consideradas do ângulo da grande crise de que tratamos. Com efeito, ao impulso dessas forças em delírio, as nações ocidentais vão sendo gradualmente impelidas para um estado de coisas que se vai delineando igual em todas elas, e diametralmente oposto à civilização cristã. De onde se vê que essa crise é como uma rainha a que todas as forças do caos servem como instrumentos eficientes e dóceis.”

Está dito aqui: “Que essa crise é tão profunda que ela domina todos os acontecimentos.” “Quer dizer, tudo que se passa de maneira a servi-la. Ela é como um polvo que entra em tudo e que governa tudo. Tudo a serve.”

Total é uma coisa que abarca tudo. Dominante não só abarca, mas dirige. Penetrar em tudo é uma coisa. Dirigir é outra.” “Aliás, é preciso notar o seguinte: que esses conceitos, cada um deles prepara para o outro”: una, universal, total, dominante.

“5. É PROCESSIVA

“Essa crise não é um fato espetacular e isolado. Ela constitui, pelo contrário, um processo crítico já cinco vezes secular, um longo sistema de causas e efeitos que, tendo nascido, em momento dado, com grande intensidade, nas zonas mais profundas da alma e da cultura do homem ocidental, vem produzindo, desde o século XV até nossos dias, sucessivas convulsões. A este processo bem se podem aplicar as palavras de Pio XII a respeito de um sutil e misterioso “inimigo” da Igreja: “Ele se encontra em todo lugar e no meio de todos: sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral, social, da unidade no organismo misterioso de Cristo. Ele quis a natureza sem a graça, a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. É um “inimigo” que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e, até, Deus jamais existiu. E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que não hesitamos em indicar 5 como principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um Direito sem Deus, uma política sem Deus” 4 . Este processo não deve ser visto como uma seqüência toda fortuita de causas e efeitos, que se foram sucedendo de modo inesperado. Já em seu início possuía esta crise as energias necessárias para reduzir a atos todas as suas potencialidades, que em nossos dias conserva bastante vivas para causar por meio de supremas convulsões as destruições últimas que são seu termo lógico. Influenciada e condicionada em sentidos diversos, por fatores extrínsecos de toda ordem – culturais, sociais, econômicos, étnicos, geográficos e outros – e seguindo por vezes caminhos bem sinuosos, vai ela no entanto progredindo incessantemente para seu trágico fim.”

Comenta o Prof. Plinio: “Agora vem a parte que eu julgo mais difícil de entender, (…) e é dizer que a Revolução é processiva, ela constitui um processo.” “

O que é que nós podemos chamar um processo? Por exemplo, o crescimento é um processo. Como é que se define o crescimento de uma árvore, por exemplo, ou do corpo humano, ou de uma associação ou qualquer coisa?” “É um todo, vamos dizer, o corpo humano, é um todo. Ele tem uma vitalidade. Essa vitalidade está em expansão. Porque ela está em expansão, ela atua sobre o corpo e vai pondo nele modificações.” “Essas modificações são por etapas que se ajudam umas as outras, de maneira a chegar até a maturidade.

“Então, o que que é, qual é a noção de processo? É a atuação por etapas de uma causa que produz vários efeitos, e esses efeitos se somam, ou se multiplicam, para chegar a um fim. Isso se chama um processo.”

“Se os senhores quiserem, a decomposição de um cadáver é um processo também. “Quer dizer, a vitalidade cessou, e então processivamente vai se dando uma decomposição, que contagia o corpo inteiro e os primeiros efeitos se somam aos segundos para produzir os terceiros, e daí por diante, até decompor o cadáver inteiro. Seria um outro processo em sentido inverso. Isso é um processo.”

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Vimos os cinco caracteres da Revolução. Os esforços das Big Tech, dos bilionários socialistas, do Foro Econômico Mundial, da ONU a favor de uma super estrutura mundial, ditatorial, socialista ajudam a compreender as características da Revolução.

A nova Cristandade, no Reino de Maria, será o oposto do Great Reset desejado pelas forças da Revolução.

Continuaremos, no próximo Post.

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