Carlos Vitor Santos Valiense

Todos devem estar acompanhando a comoção nacional que mobilizou todo o noticiário: vídeos e charges são compartilhados em todo momento no WhatsApp, as redes sociais criaram até o famoso #hashtag para compartilhar o sentimento de revolta, ONGs e associações pedem providências, alguns falam até em organizar um boicote.

Antônia Conceição da Silva, de 106 anos, foi brutalmente assassinada a pauladas na madrugada do dia 17/11 dentro da sua casa, no município de Feira Nova do Maranhão, a 783 km de São Luís.

Muitos talvez pensem que estou aludindo ao fato ocorrido em São Luiz do Maranhão, onde uma senhora de 106 anos foi trágica e covardemente morta a pauladas. Ou então à Marcha Pela Vida de 2 de dezembro na capital paulista,  durante a qual milhares de pessoas protestaram contra o ativismo judicial do STF.

Infelizmente as pessoas que estão fazendo esse alarde nacional são indiferentes aos temas aqui elencados: a vida humana. A forma brutal como o cachorro foi maltratado e morto no Carrefour é digna de repulsa e punição conforme a lei, mas nem por isso justifica o ato da cruel omissão que os grandes propagadores desta histeria ecológica têm quando o tema é, por exemplo, o aborto.

Segundo a Doutrina Católica, os animais e os recursos da criação estão naturalmente ordenados ao bem comum da humanidade. O Catecismo da Igreja Católica diz que é“contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas. Entretanto, o mesmo Catecismo alerta para o perigo de se “gastar com eles o que deveria prioritariamente aliviar a miséria dos homens”. Segundo a doutrina católica, pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas (cf. CIC. 2418).

Reação desproporcionada fecha o supermercado enquanto clínicas de aborto permanecem abertas.

Essa total inversão de valores é fruto do espírito revolucionário: igualar o ser humano ao animal, ou, pior ainda, colocar o animal no mesmo patamar que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus.  Ou ainda colocá-lo acima do homem. Isso é monstruoso e fere a própria ordem da natureza. Já em 1957, o pensador católico Plínio Corrêa de Oliveira se preocupava com tal fato, ao escrever: “Atitude de espírito bem frequente em uma época como a nossa, na qual todos os igualitarismos, mesmo os mais degradantes, encontram clima compreensivo” ([1]).

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira participou da manifestação contra o aborto do dia 2 de dezembro de 2018, na Av. Paulista. Silêncio sepulcral da mídia.

A harmonia entre as criaturas deve existir, e para isso é necessário respeitar a hierarquia da criação. Pelos primeiros animais, elevamo-nos a Deus. Pelos segundos, sentimos melhor nossa dignidade natural, compreendemos a fundo a hierarquia que o Senhor pôs no universo, e amando nossa própria superioridade e a santa desigualdade da criação, elevamo-nos também até o Criador”. [2] O Seráfico São Francisco de Assis louvou a hierarquia que Deus fez nas obras da criação: “Louvado sejas, meu Senhor por todas as tuas criaturas”.

A articulação midiática para abafar o que está acontecendo no País é bem clara. No domingo a população sai às ruas contra o aborto e na terça a mídia abafa toda a situação com a morte brutal de um cão. É necessário abafar qualquer tentativa de defender o essencial, a vida humana inocente. O aborto é algo secundário para uma sociedade que escolheu ser conduzida pelo instinto animal. “Não se deve dar aos cães o pão destinado aos filhos (Marc. 7, 27), adverte Nosso Senhor, nem atirar pérolas aos porcos (Mat. 7,6 ). É o que faz quem, levado por estúrdio sentimentalismo de fundo igualitário, concede aos animais carinhos e intimidades que a ordem da Providência reservou às relações entre seres humanos” [3].


[1]https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ACC_1957_081_Nao_se_deve_tirar_o_pao_dos_filhos.htm
[2] ibidem
[3] ibidem

1 COMENTÁRIO

  1. É bem isso nos nossos dias,imaginar em por a vida das plantas acima da dos animais,seria um absurdo, pois bem,muito pior a do animal acima da do homem que tem uma alma eterna e uma inteligência para dirigir a alma, no caminho das graças de Deus,distribuídas pelas mãos da Virgem Santíssima, mãe de Deus.

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