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Para Jean-François Colosimo, filósofo, historiador das religiões e diretor-geral das Éditions du Cerf, o fenômeno ultrapassou amplamente as fronteiras do catolicismo praticante.

Segundo ele, teria havido “um verdadeiro efeito popular”, alcançando essa França que é, ao mesmo tempo, “o país daquele que crê no céu” e “daquele que não crê”. E Colosimo emprega uma expressão particularmente evocativa: durante alguns dias, a França teria vivido uma espécie de “suspensão do tempo”, um “parêntese um tanto encantado”.

“Uma verdadeira benevolência de uns para com os outros”

A constatação é ainda mais notável porque Colosimo descreve uma França profundamente inquieta, atravessada por crises e que “muitas vezes se sente à deriva”. No entanto, durante a visita de Leão XIV, algo teria mudado momentaneamente: “Este país […] reencontrou, durante alguns dias, uma verdadeira benevolência de uns para com os outros.”

Colosimo menciona, em particular, o que observou na saída do Stade de France: policiais sorrindo para os jovens e as famílias que deixavam o local, em uma atmosfera na qual, por um instante, parecia ter desaparecido a desconfiança que tão frequentemente marca a sociedade francesa.

Ele chega até mesmo a empregar a palavra “milagre” para qualificar essa transformação momentânea da atmosfera do país. Depois de constatar que a França havia reencontrado, durante alguns dias, “uma verdadeira benevolência de uns para com os outros”, Colosimo acrescenta: “E, se há um milagre, de certa forma, Leão, ele está aí.”

Ele descreve então o que observou na saída do Stade de France, depois de uma noite “inteiramente marcada por música e cores”: “ver, de fato, esses policiais sorrirem para todas aquelas pessoas que saíam, para os jovens, sem recear nada”. E conclui: “Havíamos retornado a uma verdadeira forma de paz, e ele viera para falar da paz, mas também irradiava paz, esse papa. Portanto, isso faz bem.”

O “milagre” de que fala Colosimo não designa, portanto, um acontecimento sobrenatural em sentido estrito, mas essa mudança repentina de atmosfera que ele diz ter constatado em uma França inquieta e dividida: durante alguns dias, a desconfiança teria dado lugar à benevolência e a uma forma de paz. Segundo sua análise, Leão XIV não teria apenas falado de paz: por sua presença e pela acolhida que ela suscitava, teria contribuído para torná-la momentaneamente perceptível.

Os próprios jornalistas estrangeiros “não conseguiam acreditar”

O jornalista Jean-Marie Guénois apresenta outro depoimento particularmente interessante. Editor-chefe do Figaro responsável pela área de religiões e ex-correspondente no Vaticano, ele vivenciou a viagem por dentro, pois fazia parte do grupo de jornalistas credenciados no avião pontifício.

Ele conta que os jornalistas estrangeiros, embora acostumados às viagens pontifícias, também ficaram surpresos: “Todos os meus colegas não conseguiam acreditar nessa mobilização — os estrangeiros, sobretudo os americanos e os alemães.”

A surpresa era ainda maior porque, segundo Guénois, os próprios bispos franceses haviam temido uma mobilização insuficiente. “Eles tinham medo de não conseguir lotar”, explica ele a respeito dos grandes encontros previstos durante a viagem. A realidade, portanto, teria superado amplamente as expectativas.

“Uma espécie de adesão espontânea”

Guénois, que acompanhou muitas viagens pontifícias, não hesita em classificar esta entre as mais bem-sucedidas a que assistiu. Mas não são apenas os números que o impressionam. Algo mais difícil de definir teria ocorrido entre Leão XIV e os franceses: “Aconteceu — e ainda não compreendi o que aconteceu — uma espécie de adesão espontânea.”

Essa observação merece atenção. O próprio jornalista experiente reconhece que ainda não consegue explicar completamente o fenômeno. “Uma corrente se estabeleceu”, constata.

Em seguida, emprega palavras muito mais fortes: “Eu diria, em uma palavra, que, no plano religioso, para os católicos, é quase como um Pentecostes.” E ainda: “Houve algo, houve um momento de graça.”

Quanto aos não crentes, Guénois reconhece que ainda não sabe como qualificar essa estranha atração exercida pelo papa. Mas conclui falando também de um “momento encantado”.

“Ele nos mostrou onde estavam as raízes europeias”

Guénois, por sua vez, enfatiza outro aspecto da viagem. Leão XIV é americano. Segundo o jornalista, essa origem lhe conferiria certa liberdade em relação às disputas, aos complexos e às ideias preconcebidas dos europeus.

E o que fez esse americano ao vir à França? Guénois responde com uma imagem: diante de uma Europa semelhante a um jardim em dificuldades, “ele cavou”. “Ele nos mostrou onde estavam as raízes. Ele nos mostrou onde estavam as raízes europeias.” O paradoxo é marcante: teria sido um papa vindo da América quem veio recordar aos europeus suas próprias raízes.

E ele teria feito isso em um país particularmente sensível às relações entre religião e espaço público, falando não contra a laicidade, mas de uma “laicidade justa”. Guénois chega a falar de uma “laicidade descontraída”.

“Ele devolveu orgulho ao catolicismo francês”

De todas as observações do jornalista, talvez seja esta a que melhor resuma sua impressão: “De certa forma, ele devolveu orgulho ao catolicismo francês.”

A formulação converge com as observações de Colosimo. Durante alguns dias, algo incomum aconteceu: multidões se reuniram; jornalistas estrangeiros ficaram espantados; católicos vivenciaram aquilo que Guénois chega a comparar a um “Pentecostes”; e uma sociedade profundamente dividida conheceu, segundo Colosimo, uma breve “suspensão do tempo”.

Será evidentemente necessário algum distanciamento para saber o que permanecerá daqueles dias. Mas as palavras empregadas por dois observadores tão experientes são suficientemente incomuns para chamar a atenção: “adesão espontânea”, “Pentecostes”, “momento de graça”, “parêntese encantado”, “paz”, “orgulho do catolicismo francês”.

A questão que permanece talvez seja a mais importante: esse fervor continuará sendo a lembrança luminosa de alguns dias excepcionais ou revela algo mais profundo que hoje se move na França, sob a superfície?

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=7amFHVPrilQ


Fonte: TFP France — https://tfp-france.org/pourquoi-leon-xiv-a-t-il-suscite-une-telle-ferveur-en-france

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