Quando li o título acima (num artigo de Robin Richardot, publicado no Le Monde de 27-11-20), imaginando o pior, lembrei-me do dito “Parem o mundo, que eu quero descer!”. Mas depois, lendo o artigo, dei-me conta que nem tudo está perdido neste mundo e que, portanto, não preciso dele “descer”. Pelo menos por enquanto…

         Explico-me.

         No zoológico de Bronx (Nova York), há um elefante chamado “Happy” (Feliz) [foto acima]. Agentes de um movimento protetor dos animais, a Nonhuman Rights Project, entraram na justiça para que o paquiderme fosse reconhecido como pessoa e adquirisse personalidade legal. Mas a Suprema Corte de Nova York rejeitou esse pedido anti-humano. Ufa! Realmente nem tudo está perdido.

No dia 19 de novembro último, aquela Corte de Nova York considerou o caso de “Feliz” e, felizmente, os juízes rejeitaram o pedido dos ditos “protetores dos animais”. Estes alegavam que “Numa época em que a ecologia e o bem-estar animal são preocupações cada vez mais comuns, devemos parar de pensar que os seres humanos são os únicos que podem usufruir de direitos”… Eles já haviam processado o zôo de Bronx, em outubro de 2018, acusando-o de cercear a liberdade do “Feliz”, que sofria de solidão há dez anos no jardim zoológico. O movimento “argumenta” com o caso de um orangotango [foto ao lado] na Argentina que em 2014 foi reconhecido pela justiça como “pessoa não humana”(sic).

         No caso do elefante, graças a Deus não prevaleceu a irracionalidade. Um dos argumentos dos juízes foi bem simples, como escreveu o citado jornalista do Le Monde: “Na França, a morte de Elisa Pilarski, em novembro de 2019, levanta a questão da responsabilidade de um animal perante a justiça. Seu cachorro, um pit bull, suspeito de matá-la, portanto considerado perigoso, poderia ser condenado [eutanasiado]. Uma culpa confirmada por um laudo pericial. No entanto, a Fundação Brigitte-Bardot espera salvar o cão. O caso mostra que um cão não pode ser julgado como um homem”.

         Feliz do elefante “Feliz”, pois se fosse reconhecido como pessoa, poderia, como qualquer pessoa, ser condenado por eventuais práticas criminosas, furto de comida, trombadas, agressões etc.

Incoerência e hipocrisia do movimento abortista

         Com este artigo, meu desejo é chamar a atenção para uma questão mais séria: a descriminalização do aborto e a criminalização de pessoas por maltratar animais. Não é uma atitude animalesca defender a liberdade de se matar um ser humano no ventre materno e pedir a condenação de alguém que eventualmente não tenha tratado bem um animal?

         Não defendo o direito de tratar com crueldade os animais — gosto muito deles, por exemplo de cachorros, como os das raça labrador, pastor-alemão, dálmata etc. — , mas não podemos cair na insanidade de certos movimentos que defendem o fechamento de zoológicos, mas defendem o direito de se abrir clínicas de aborto.

Outros defendem até os “direitos humanos dos animais”, entretanto não defendem os direitos humanos dos bebês nos claustros de suas mães. Ademais, não dizem nada contra a prática de se executá-los e jogá-los na lata de lixo hospitalar, sequer com o direito de um funeral digno, enquanto crescem os cemitérios para cães e gatos.

         Muitos não defendem explicitamente a prática abortiva, mas são cúmplices, pois não fazem nada para impedir essa grave violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, “NÃO MATAR”. As pessoas que fecham os olhos para essa ignomínia não são cúmplices? Ficando indiferentes, elas não acabarão por humanizar o animal e aceitar a pena de morte executada contra inocentes nascituros? Deixo a resposta com o célebre escritor inglês Chesterton: “Onde quer que haja adoração a animais, ali haverá sacrifício humano”

         Nesses caóticos dias, assistimos uma verdadeira inversão de valores com a tentativa de se igualar o ser humano ao animal. No alastramento desse igualitarismo, chegar-se-á à irracionalidade: adoração do animal, colocando-o acima dos seres humanos — entretanto criados à imagem e semelhança de Deus para serem os reis da Criação.

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