Hélio Viana  

Geoffrey Robertson

No dia 2 de Abril p.p., o advogado Geoffrey Robertson, empregado da ONU, exigiu que o Papa Bento XVI fosse entregue ao Tribunal Penal Internacional para julgamento, quando o Papa visitar a Grã-Bretanha no próximo semestre. Estou à par e quero enviar meu apoio ao papa É impossível não estabelecer uma analogia entre o abstruso pedido desse advogado inglês e a atitude do juiz espanhol Baltazar Garzón ordenando a detenção em Londres do ex-presidente Pinochet. 

 Ressalvadas as proporções – pois nas palavras de Santa Catarina de Sena o Romano Pontífice é o “doce Cristo da Terra”, e atentar contra ele é atentar contra o próprio Nosso Senhor –, do mesmo modo como o caótico período do governo marxista de Allende, fortemente apoiado pela Teologia da Libertação, encerrou-se com a ascensão de Pinochet, há quem julgue que inúmeros desvarios que se seguiram ao Concílio Vaticano II estejam sendo revertidos em decorrência de certas medidas do Papa Bento XVI. 

Embora ambas as ofensivas se tenham dado em épocas distintas visando alvos diferentes, elas têm, contudo, um denominador comum: os Direitos Humanos, utilizados quais coringas pelos novos Torquemadas da Inquisição laica do século XXI para perseguir todos aqueles que opõem obstáculos à marcha da Revolução anticristã (*). Se contra o ex-presidente do Chile o pretexto foi de violação dos direitos humanos de comunistas que estavam levando o país à miséria e ao caos, no presente estrondo publicitário contra a Igreja Católica a acusação – inteiramente infundada – é a de que o Sumo Pontífice teria sido leniente quanto aos crimes de pedofilia perpetrados por membros do clero. 

 De onde se deduz que se de um lado o marxista Allende tivesse se perpetuado no poder, e de outro as desordens provenientes do Concílio – com toda a sua trágica repercussão na sociedade temporal – continuassem tendo livre curso, tudo estaria normal, pois em ambas as situações os Direitos Humanos estariam sendo plenamente observados! 

 O que nos leva a concluir que, tal como ocorre no PNDH-3, os Direitos Humanos constituem poderosa arma para tornar ilegais as atuais instituições e implantar o comunismo, a exemplo do que ocorre em Cuba ou na China, onde bandidos são os opositores do regime… 

 Curioso em toda esta ofensiva o papel de certa mídia enquanto companheira de viagem dos Direitos Humanos: exploradora contínua dos mais baixos instintos humanos, ela expõe suas vítimas à execração pública quando gerados os efeitos do que ela mesma lhes instilou. 

 Essa mesma mídia, enquanto alça próceres dos Direitos Humanos aos mais altos cargos eletivos e se esforça em mantê-los atribuindo-lhes uma popularidade de que não desfrutam, ainda ousa postular a renúncia do Monarca da dinastia mais poderosa e longeva da Terra: a dos Romanos Pontífices, instituída e assegurada até o fim dos tempos por Aquele que disse: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela” (Mateus, 16, 13:20)! 

 (*) Essa perseguição se fará pari passu contra todos aqueles que contrariarem de algum modo nos seus respectivos âmbitos os Direitos Humanos: pais, professores, médicos, enfermeiros, sacerdotes, tabeliães, agricultores, empresários, militares, jornalistas etc.