Pelo fato de ter sido criada pelo próprio Deus, a instituição da família toma um caráter sagrado.  E igualmente sagrado é o dever da família: não só gerar novos filhos para Deus, como também a educação dos filhos. Cabe lembrar que essa educação deverá ser, além de moral, principalmente religiosa: Os pais cristãos compreenderão, além disso, que não são destinados só a propagar e conservar na terra o gênero humano e não só também a formar quaisquer adoradores do verdadeiro Deus, mas a dar filhos à Igreja, a procriar concidadãos dos santos e familiares de Deus (Ef 2, 19), a fim de que o povo dedicado ao culto do nosso Deus e Salvador cresça cada vez mais, de dia para dia.”[1]

Segundo a Encíclica Familiaris Consortio, de João PauIo II, a missão da família pode ser resumida em:

“1) a formação de uma comunidade de pessoas;

2) o serviço à vida;

3) a participação no desenvolvimento da sociedade;

4) a participação na vida e na missão da Igreja.”.[2]

Os pais devem além de gerar novos filhos para Deus, educa-los segundo o ensinamento da Igreja, sendo para eles exemplos de virtudes e imagens do próprio Deus.

Esse ensinamento religioso e moral manifestar-se-á na vida social, sendo responsável, dessa forma, pela formação de novos membros da sociedade. Com isso, fica claro o papel que tem a família na construção de uma civilização genuinamente cristã.

Por conta de tamanha missão – a de formar novos filhos para Deus e novo indivíduos para a sociedade – a família tem sido alvo de inúmeros ataques vindos de movimentos abortistas, homossexuais, divorcistas, tendo que enfrentar a imoralidade, igualitarismo, etc., que a todo momento tentam novas investidas para destruí-la.

Diante de tal situação, é conveniente que fique clara a doutrina católica a respeito da família, para que possamos ver e rejeitar quaisquer sofismas difundidos nos tempos hodiernos.

 O que diz a doutrina Católica a respeito da família?

Pio XI, Encíclica Casti Connubii

A doutrina da Igreja referente às funções da família enquanto instituição já foi referida acima. Cabe, agora, dizer algo sobre a função de cada um dos que a constitui.

Ao pai, cabeça da família, cumpre o dever de guiá-la, protege-la, sustenta-la, enfim, deverá manter sua esposa e seus filhos em digna condição, espiritual e também material.

A presença do pai, na família, é indispensável para um crescimento saudável dos filhos. E isso é devido à sua função, que é de suma importância.

A esse respeito, a doutrina católica é clara: “O marido é o chefe da família e a cabeça da mulher; e esta, portanto, porque é carne da sua carne e osso dos seus ossos, não deve sujeitar-se a obedecer ao marido como escrava, mas como companheira, isto é, de tal modo que a sujeição que lhe presta não seja destituída de decoro nem de dignidade. Naquele que governa e naquela que obedece, reproduzindo nele a imagem de Cristo e nela a da Igreja, seja, pois, a caridade divina a perpétua reguladora dos seus deveres”.[3]

“Em primeiro lugar deverá, com todo o esforço, realizar-se o que foi já sapientemente decretado pelo Nosso predecessor Leão XIII, isto é, que na sociedade civil as condições econômicas e sociais estejam ordenadas de tal forma, que qualquer pai de família possa merecer e ganhar o necessário ao sustento próprio, da mulher e dos filhos, e conforme às diversas condições sociais e locais, “pois que ao operário é devida a sua recompensa” (Lc 10, 7) e anegar-lhe ou não lhe dar na justa medida é grave injustiça, que pela Sagrada Escritura se enumera entre os maiores pecados, assim como não é lícito ajustar salários a tal ponto diminutos que sejam insuficientes, segundo as circunstâncias, para alimentar a família.”[4]

“De fato, se às famílias, e especialmente às que têm numerosa prole, faltam convenientes habitações, se o homem não consegue encontrar oportunidade de arranjar trabalho e alimento, se as coisas necessárias para os usos cotidianos não puderem comprar-se senão a preços exagerados, se, finalmente, as mães de família, com grande prejuízo da economia doméstica, estão sobrecarregadas pela necessidade e pelo gravame de ganhar dinheiro à custa do próprio trabalho, se nos trabalhos ordinários e até nos trabalhos extraordinários da maternidade lhes faltar o alimento conveniente, os remédios, o auxílio de um médico competente e outras coisas semelhantes — não há ninguém que não veja quão difícil se lhes torna a vida doméstica e a observância dos preceitos divinos, e também quão grande perigo daí possa vir para a segurança pública, para a salvação e a vida da própria sociedade civil, se tais homens, nada tendo já que receiem que se lhes possa tirar, forem induzidos a tão grande desespero, que ousem esperar poder conseguir talvez muito da subversão do Estado e de tudo o mais.” [5]

“O amor à esposa tornada mãe e o amor aos filhos são para o homem o caminho natural para a compreensão e realização da paternidade. De modo especial onde as condições sociais e culturais constringem facilmente o pai a um certo desinteresse em relação à família ou de qualquer forma a uma menor presença na obra educativa, é necessário ser-se solícito para que se recupere socialmente a convicção de que o lugar e a tarefa do pai na e pela família são de importância única e insubstituível(72). Como a experiência ensina, a ausência do pai provoca desequilíbrios psicológicos e morais e dificuldades notáveis nas relações familiares.”[6]

Quanto a mãe, cabe a ela desenvolver as atividades familiares, tais como a educação da prole, a organização do lar, o auxilio ao seu esposo, entre outros pontos. Como nos ensina a Santa Igreja, ensinamento este confirmado pela Lei Natural, a mulher deve guardar submissão e obediência ao marido, não como escrava, mas sim como companheira:  “ligada, enfim, com o vínculo desta caridade a sociedade doméstica, florescerá necessariamente aquilo que Santo Agostinho chama a ordem do amor. Essa ordem implica de um lado a superioridade do marido sobre a mulher e os filhos, e de outro a pronta sujeição e obediência da mulher, não pela violência, mas como a recomenda o Apóstolo com estas palavras:

– “Sujeitem-se as mulheres aos seus maridos como ao Senhor; porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja” (Ef 5, 22-23).”.[7]

“Da observância desta ordem entre o marido e a mulher já falou com muita sabedoria o nosso predecessor Leão XIII, de feliz memória, na Encíclica que já recordamos acerca do Matrimônio Cristão:

– “O marido é o chefe da família e a cabeça da mulher; e esta, portanto, porque é carne da sua carne e osso dos seus ossos, não deve sujeitar-se a obedecer ao marido como escrava, mas como companheira, isto é, de tal modo que a sujeição que lhe presta não seja destituída de decoro nem de dignidade. Naquele que governa e naquela que obedece, reproduzindo nele a imagem de Cristo e nela a da Igreja, seja, pois, a caridade divina a perpétua reguladora dos seus deveres” (Encíclica “Arcanum”, 10 de fev. de 1880).”.[8]

“Portanto a Igreja pode e deve ajudar a sociedade atual pedindo insistentemente que seja reconhecido por todos e honrado no seu insubstituível valor o trabalho da mulher em casa. Isto é de importância particular na obra educativa.”[9]

“Deve além disso superar-se a mentalidade segundo a qual a honra da mulher deriva mais do trabalho externo do que da atividade familiar. Mas isto exige que se estime e se ame verdadeiramente a mulher com todo o respeito pela sua dignidade pessoal, e que a sociedade crie e desenvolva as devidas condições para o trabalho doméstico.”[10]

João Paulo II, Familiaris Consortio

Sobre a falta que a mãe faz numa família, privo-me de dizer muito, pois é evidente as más consequências no crescimento da prole.

Enquanto a figura paterna transmite a imagem de justiça e segurança, a materna, comunica bondade e confiança. Deste modo, cada um desempenha a sua maneira, a obrigação de serem imagens do próprio Deus.

“Tornando-se pais, os esposos recebem de Deus o dom de uma nova responsabilidade. O seu amor paternal é chamado a tornar-se para os filhos o sinal visível do próprio amor de Deus, «do qual deriva toda a paternidade no céu e na terra.[11]

…a família encontra no amor a fonte e o estímulo incessante para acolher, respeitar e promover cada um dos seus membros na altíssima dignidade de pessoas, isto é, de imagens vivas de Deus.”[12]

E, aos filhos são lhes devido a obrigação de serem submissos e obedientes aos seus pais, deixando-se guiar e ensinar, para que: “Deste modo as crianças, ao poderem crescer «em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens»(77), darão o seu precioso contributo à edificação da comunidade familiar e à santificação dos pais(78).”[13]


Referências: 

[1] Pio XI, Encíclica Casti Connubii, pag. 4

[2] João Paulo II, Familiaris Consortio, pag. 12

[3] Pio XI, Encíclica Casti Connubii, pag. 7

[4] Idem,pag. 31

[5] Idem,pag. 31

[6] João Paulo II, Familiaris Consortio, pag. 18

[7] Pio XI, Encíclica Casti Connubii,pag. 7

[8] Idem, pag. 7

[9] João Paulo II, Familiaris Consortio, pag. 16

[10] Idem, pag. 17

[11] Idem, pag. 10

[12] Idem, pag. 15

[13] Idem, pag. 19

 

 

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