No momento, você está visualizando O paradoxo de Dolly Parton

Com a morte de Dolly Parton, uma era chegou ao fim. Essa era é definida não por sua personalidade, mas por um tipo de figura que outrora unificava a nação.

Houve um tempo em que existiam muitas dessas figuras unificadoras na cultura americana — celebridades, estrelas e figuras políticas e esportivas. Eram lendas que geralmente personificavam certos traços e modos de ser americanos com os quais a maioria das pessoas podia se identificar. Essas celebridades não eram ideológicas, mas antes ícones culturais — parte Hollywood, parte John Wayne, parte American Way of Life.

Essas figuras lendárias floresceram especialmente por volta dos anos 1950 e conquistaram um nicho no imaginário americano. Muitas vezes levavam vidas conturbadas, até mesmo imorais, mas projetavam um ar de vitalidade.

Dolly Parton foi uma dessas figuras que construíram uma lenda, como tantas outras. No entanto, ela era diferente porque se vinculou a uma lenda justamente no final daqueles tempos em que as lendas ainda viviam. Ela teve de lutar muito para mantê-la viva.

Ao longo dos anos, ela atravessou a tempestade cultural que destruiu outras figuras menos afortunadas e sobreviveu com os restos esfarrapados de sua lenda. Ela era muito mais conhecida pelo que se percebia que ela fosse do que por quem realmente era. Ela encapsulou sua lenda em seu parque temático Dollywood, que podia despertar uma nostalgia à maneira do Cracker Barrel por tempos há muito passados.

Nestes tempos hostis, em que todos pensam apenas em si mesmos, as lendas não envelhecem bem. Assim, à medida que ela envelhecia, sua lenda também envelhecia, em todos os seus tons berrantes e chamativos. Percebendo o espírito dos tempos, ela também mudou seus valores e posições culturais, infelizmente tentando acomodar todos sob uma aparência neutra, um sotaque sulista e um sorriso sempre pronto.

Assim, Dolly viveu um paradoxo de valores conflitantes e posições insustentáveis. Ela conseguiu agradar a todos os extremos ideológicos, culturais e sociais e a tudo o que havia entre eles. Em vez de unificar a nação, deixou que cada um se lembrasse dela como quisesse, mas sempre evocando aqueles tempos simples em que as lendas ainda viviam. Assim, os elogios a ela vieram de democratas, membros do DSA e republicanos, de defensores da vida e ativistas LGBT, e do Pe. James Martin ao Presidente Donald Trump.

Todos queriam reivindicá-la como uma das suas, embora ela não representasse inteiramente nenhum deles. E assim ela permanece apenas como mais uma dessas lendas superficiais do entretenimento que não perdurarão como os heróis e santos de outrora.

A maioria se despedirá de Dolly Parton com toda a paixão de uma postagem final no Facebook. Talvez se lembrem de um momento agradável do passado. No entanto, a era dessas lendas acabou. Seus ícones estão desaparecendo. Elas nunca tiveram o que era necessário para construir um legado duradouro: uma base moral autêntica e sólida.


Fonte: The American TFP — https://www.tfp.org/the-dolly-parton-paradox

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