A “TERRABRAS” vista por dentro

Assentamento instalado há três anos às margens da BR-116.

Imaginemos que os assentados constituem uma espécie de parceiros do INCRA.

Eles entram com o trabalho, conhecimentos técnicos e administrativos, máquinas, instalações e capital de giro. Por sua vez, o INCRA entra com a terra (concessão de uso) e assistência técnica.

Acontece que uma vez que os parceiros assentados não dispõem de capital nem de capacidade administrativa, e muito menos de conhecimento suficiente, o INCRA se vê obrigado a lhes conceder financiamentos de fundo perdido, além de ampla assistência técnica.

Fato tanto mais grave quanto a condição de êxito de qualquer iniciativa envolvendo produção depende da qualificação do trabalhador.

Para se conhecer o nível de formação do assentado, podemos fazer uso de vários indicadores. De um lado, sua experiência no trabalho agrícola como trabalhador manual e como gestor na produção. De outro, seu nível de conhecimento técnico e administrativo, incluindo conhecimentos elementares como ler e escrever.

Finalmente, características culturais e psicológicas, como grau de responsabilidade e capacidade de empreender, além do desejo de perfeição no trabalho, entre outras.

De acordo com o censo de assentamentos, 40% dos assentados são analfabetos ou semi-analfabetos, enquanto 42% cursaram o primeiro grau. 33% têm idade acima de 48 anos e apenas 67,5% são oriundos do meio rural.

Tais cifras indicam a falta de condições mínimas para que a maior parte dos assentados possa alcançar êxito enquanto produtores rurais independentes.

Portanto, sem considerar razões ideológicas que expliquem o fato, não é de estranhar que após 50 anos de vigência da Reforma Agrária, tão somente 2,5% dos beneficiados tenham obtido o título de propriedade da terra, tornando-se efetivamente independentes.