Rússia espanca jornalistas que investigam o governo

Colegas protestam pelo espancamento de Oleg Kachine

Luis Dufaur

O jornalista russo Oleg Kachine, do diário Kommersant, um dos maiores do país, foi espancado selvagemmente ao que todo indica por agentes do governo em Moscou.

Ele foi posto em coma induzido após a agressão disse sua mulher Evguenia Milova, segundo informou “Libération” de Paris.

Oleg teve os dedos, as mandíbulas e as pernas quebradas pelos agressores. Os promotores e os colegas do jornalista acreditam se tratar de uma ameaça para que Oleg não prossiga a investigação das “organizações informais” que estão no coração do sistema restaurado pelos ex-agentes da KGB.

Mikhail Mikhailin, diretor do Kommersant disse à TV que as crueldades contra o jornalista eram um típico “recado” para não investigar coisas que não são do agrado dos dirigentes do Kremlin.

Poucos dias depois, Anatoly Adamchuk, repórter do jornal Zhukovskiye Vesti, da periferia de Moscou foi espancado do mesmo modo.

O presidente Medvédev disse que os agressores seriam punidos “sejam quem forem”.

Na Rússia, os atentados contra jornalistas independentes são freqüentes e sabe-se que a polícia e a Justiça submissas ao regime os deixam impunes.