Daniel Martins

  Se eu fosse o Sr Paulo Vannuchi, coordenador do PNDH-3, confesso que não faria diferente.

  Imagine que eu representasse um grupo de pessoas que há muito tempo quer implantar no Brasil um estado de coisas completamente anti-católico. Desde corrosão da propriedade privada até a destruição da família pela legalização do aborto, da prostituição e do “casamento” homossexual.

  Imagine de outro lado que, devido à reação da população, cujo mais profundo sentimento é cristão e conservador, eu não pudesse implantar desde logo, mas só à conta-gotas. Um projeto de lei aqui, um plano diretor ali, uma norma técnica acolá.

  Imagine por fim que eu tomasse o poder no Brasil, e depois de vários anos procurando uma brecha, eu não a encontrasse. O que eu faria? Como contentar minha “base”, que quer a destruição da civilização cristã de todos os modos, já e para sempre, e não aguenta esperar mais?

  Eu faria o que fez o Sr Vannuchi e equipe. Lançaria um Programa o mais radical e abrangente possível. Vários setores da sociedade, pelo medo de minha radicalidade, reagiriam. Após alguns meses de medo, eu proporia um meio-termo, e diria “vou recuar”.

  Os mesmos que reagiram contra o meu Programa, diante da minha “boa-vontade”,  de bom grado aceitariam o Programa levemente mitigado.

  Alguns ainda gritariam, mas a reação estaria amainada. Os partidários do “ceder para não perder” me dariam assim uma ocasião de vencer, contentar minhas bases e promover a destruição de tudo o que resta no Brasil da tradição cristã, da instituição sagrada da família, e do direito de propriedade particular.

  Fiz ou não fiz um jogo bem feito? Sim. Disse que iria recuar, mudei algumas vírgulas e mantive todo o resto.

  Só faltaria um último passo: amordaçar os que denunciassem meu jogo…

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  Há alguns dias o PNDH-3 foi alterado em alguns pontos (Saiba mais clicando aqui). Embora as alterações tenham sido em sua maioria meramente cosméticas, muitas vozes, que antes estavam mobilizadas contra o PNDH-3, se calaram.

  Estará tendo êxito o jogo dos propugnadores do PNDH-3? Depende de nós.