Os primeiros registros da entrada de missionários europeus católicos na China datam do século XIII, quando esse Império era governado pela dinastia Yuan. O padre franciscano italiano João de Montecorvino chegou a Pequim 1294, e em 1299 construiu uma igreja nessa cidade; em 1305 construiu uma segunda, em frente ao palácio imperial. Entretanto, depois de muitas vicissitudes, a Igreja praticamente desapareceu, até que, à chegada do missionário italiano Mateo Ricci, teve uma verdadeira revivescência. Foi convidado pelo Imperador, que procurou seus serviços em matéria como astronomia e ciências. Ele converte proeminentes nobres ao Catolicismo, como seu colega Xu Guanggi, que o ajudou na tradução de muitas obras do latim para o chinês.

Por isso a data da chegada de Mateo Ricci é considerada a da introdução do Catolicismo no país. Mas vários problemas impediram um desenvolvimento mais vigoroso da Igreja chinesa.

Foi só em 1576 que o Papa Gregório XIII erigiu a Diocese de Macau, sendo esta a primeira diocese na China, com jurisdição eclesiástica inicial sobre toda a China e o Japão. Ricci morreu em 1610, mas a missão dos jesuítas conseguiu tornar-se uma parte importante da burocracia imperial. Esta só acabou no século XVIII. Em 1644, um jesuíta alemão, Adam Schall von Bell, foi nomeado Presidente do Tribunal das Matemáticas pela nova dinastia Qing.

Durante a grande expansão do trabalho missionário em todo o mundo, por ocasião da Contra-Reforma, os jesuítas e outros missionários tentaram entrar outra vez na China. Os filhos de Santo Inácio tiveram sucesso especialmente no diálogo e no intercâmbio cultural, científico e artístico com os intelectuais chineses e com a Corte da dinastia Ming.

Os missionários católicos, nomeadamente os jesuítas, conseguiram estabelecer-se em várias cidades chinesas, fazendo muitas conversões: em 1617, a Igreja contava com 13 mil convertidos; em 1650, já havia 150 mil; e de 1650 até 1664, o número de convertidos aproximava-se dos 255 mil. Em 1650 abriu-se a primeira igreja pública em Pequim, cuja construção foi financiada pelo Imperador Shunzhi, que era grande simpatizante e protetor do Pe. Adam Schall. Esta igreja, construída no lugar onde esteve a primeira capela de Pequim (construída por Matteo Ricci), tornou-se mais tarde a Catedral da Imaculada Conceição, atual sede da Arquidiocese de Pequim.

Em 1721, outro Imperador proibiu as missões cristãs na China, e três anos depois ordenava o exílio para Cantão de todos os missionários, exceto daqueles que trabalhavam na Corte Imperial, a maioria deles jesuítas. Em 1736 o ensino da doutrina católica foi punido com morte. Com a supressão da Companhia de Jesus (1762-1773) e a consequente retirada da China, a Igreja, que já contava com 300 mil católicos, ficou mais exposta às sucessivas ondas de perseguição. Estas se tornaram mais severas a partir de 1796, e muitos sacerdotes e fiéis chineses foram martirizados. Mesmo com todas estas dificuldades, a Igreja conseguiu sobreviver clandestinamente no país.

Do século XVII até a metade do século XIX, mais missionários e fiéis leigos foram mortos, inclusive Dom João Gabriel Taurin Dufresse, das Missões Exteriores de Paris, o qual foi também canonizado. Dom João Gabriel era membro da Sociedade das Missões Estrangeiras, de Paris, Bispo titular de Tabraca e Vigário Apostólico de Sichuam. Foi decapitado em 14 de setembro de 1815.

Ora, sucedeu então que Zhao Rong, um soldado que escoltou Dom Dufresse até a cidade de Pequim e o acompanhou até ser decapitado, ficou tão impressionado com a serenidade e a força espiritual do bispo – que apesar de torturado não renegou a fé –, que lhe pediu que o recebesse no seio da Igreja. Foi batizado e enviado ao seminário, onde foi ordenado sacerdote diocesano. Por se cristão, ele também sofreu terríveis suplícios antes de morrer decapitado em 1815.

No início de 1900 ocorreu a revolução comunista chinesa, provocada por motivos políticos, com novas ondas de perseguições aos cristãos. Seu motivo de fato foi exclusivamente religioso, como comprovaram os documentos históricos. Desde então, houve um sangrento extermínio, que matou um número infindável de catequistas leigos, chineses convertidos e sacerdotes chineses. Não puderam ser localizados todos os nomes, porque a destruição e os incêndios continuaram ao longo do novo regime político chinês. A última execução em massa de cristãos na China de que se tem notícia aconteceu em 25 de fevereiro de 1930.

A Igreja Católica havia beatificado 120 mártires chineses de diversos tempos. Eles foram escolhidos para representar os inúmeros mártires que morreram na China por sua fidelidade corajosa à fé católica, incluindo aqueles que morreram já na época comunista (desde 1949), cujo grande número ainda está por ser definido. A canonização realizou-se no Vaticano em 1o de outubro de 2000, no con¬texto do Grande Jubileu, pelo Papa João Paulo II.

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