Brasil-China: a economia é tudo?

    Meninas choram durante treinamento em academia de jovens atletas na china
    Meninas choram durante treinamento em academia de jovens atletas na china

    Opera-se atualmente uma aproximação crescente do Brasil com a China, centrada tão-só em vantagens econômicas.

    E quando se fala em vantagens econômicas, “cale-se tudo quanto a musa antiga canta”, como dizia o Poeta. A economia é o deus, em cujo altar devem ser sacrificados todos outros valores, como a honra (palavra esquecida), a moral, a religião, entre outros.

    A consideração de que a China está dominada pelo comunismo nem entra em cena. Ora, em todo momento se produzem na China fatos que mostram o que é o regime marxista. Vejamos dois exemplos.

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    Nas recentes olimpíadas realizadas em Londres, a China obteve um grande número de medalhas de ouro e prata. A que preço? Vejamos.

    “Durante um ano, a BBC de Londres acompanhou a preparação das duas atletas Wu Minxia e He Zi, que arrasaram no salto ornamental em trampolim e chegou à conclusão de que elas foram submetidas a um regime de trabalho forçado, ou quase. Junto com outros colegas, elas foram confinadas num ginásio, tendo livre apenas uma tarde de domingo por semana. Do centro de treinamento para os dormitórios, iam de ônibus e, no percurso, o mundo exterior era apenas vislumbrado pela janela.

    Garotos aparecem pendurados em estrutura de madeira durante alongamento em centro de treinamento de atletas chineses
    Garotos aparecem pendurados em estrutura de madeira durante alongamento em centro de treinamento de atletas chineses

    “Quase ao mesmo tempo, o jornal britânico ‘Daily Mail’ publicou fotos da preparação esportiva de crianças chinesas, perguntando se não constituíam de fato tortura os castigos físicos a que são submetidos meninos e meninas de 7 ou 8 anos de idade. As imagens são impressionantes. Em uma delas, uma garota de bruços, com os braços abertos, a cabeça levantada, chora de dor. Atrás, a instrutora segura uma espécie de palmatória. Em outra foto, um pé do treinador pisa forte a perna de uma menina deitada no chão, o rosto contraído, a boca aberta. Se o governo chinês castiga assim seus atletas infantis, a pretexto de transformá-los em heróis olímpicos, o que não faz com os dissidentes políticos?”(“O Globo”, 8-8-12)

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    A monstruosa política de filho único leva a uma perseguição cruel contra as mães que não querem abortar.

    “A foto de um feto de sete meses ensanguentado ao lado da mãe, Feng Jianmei, se espalhou de maneira viral na internet chinesa e provocou uma onda de indignação contra os abusos da política de filho único. Feng e o marido, Deng Jiyuan, são pais de uma menina de 5 anos e não tinham dinheiro suficiente para pagar a multa de 40 mil yuans (R$ 12,9 mil) por terem um segundo filho.

    “Em resposta, os responsáveis pelo controle de natalidade sequestraram Feng em sua casa no início de junho e a mantiveram por três dias em um hospital. Lá, ela recebeu uma injeção que induziu o trabalho de parto e matou seu bebê de 7 meses”.

    Devido à grande repercussão do fato, o governo pediu desculpas e indenizou a mulher. “Apesar disso, casos semelhantes se repetem em toda a China. Os abortos forçados são a face mais escandalosa dos abusos cometidos em nome da política de filho único, mas os atos de violência incluem a detenção de familiares de mulheres que se recusam a interromper a gravidez, extorsão, agressões, torturas e até assassinatos”. (“O Estado de S. Paulo, 7 e 8-7-12).

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    Foi exatamente para prevenir contra a expansão dos erros do comunismo que Nossa Senhora falou em Fátima e suas imagens choram pelo mundo afora. Entretanto, nas relações com a China só o aspecto econômico parece interessar ao governo brasileiro.