Estamos comemorando 75 anos de Em Defesa da Ação Católica, livro que foi o primeiro brado de alerta, em nosso País, contra a crise na Igreja. Seu autor, Plinio Corrêa de Oliveira, tornou-se depois o inspirador e principal colaborador de Catolicismo.

Em julho de 1943, prosseguia a infiltração dos erros modernistas na Igreja. Essa corrente doutrinária havia sido condenada ex cathedra e aniquilada por São Pio X, nos primórdios do século XX, mas seus adeptos remanescentes começavam a solapar e infestar os movimentos católicos do Brasil, antes tão numerosos e pujantes.

Plinio Corrêa de Oliveira era então Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo. Após fazer um diagnóstico minucioso da grave situação, ele percebeu tratar-se de uma verdadeira revolução tramada dentro dos ambientes católicos visando mais uma vez implantar o modernismo, semelhante ao progressismo dos atuais “católicos de esquerda”. Nunca é demais lembrar que esses erros doutrinários estão na raiz da imensa confusão imperante em nossos dias. Era imperioso denunciá-los, pois começavam a prejudicar o meio católico e as suas atividades.

Percebia o Prof. Plinio que, caso se lançasse contra essa corrente, seria hostilizado de modo implacável pela parte do clero empenhada em “modernizar” o apostolado católico. Disposto a enfrentar tais perseguições, muniu-se de sólida argumentação embasada em documentos pontifícios, e lançou-se à luta como um “kamikaze”. Ele mesmo assim definiu sua iniciativa de publicar o livro, e de fato a analogia com os soldados japoneses suicidas se justifica, pois o livro teve em muitos aspectos o efeito de uma bomba.

 As opiniões se dividiram. Muitos Bispos, sacerdotes e leigos aderiram com entusiasmo às suas teses, sentindo-se aliviados pela coerência doutrinária e fidelidade aos ensinamentos pontifícios tradicionais. O mais significativo dos apoios proveio do Papa Pio XII, então reinante, através de uma carta muito elogiosa assinada por seu subsecretário de Estado, Mons. João Baptista Montini [fac-símile ao lado] .

Outros invectivavam a obra, sem lhe opor qualquer argumento convincente. Não tardou a tempestade persecutória, à qual não faltou um vendaval de calúnias. Uma alta autoridade eclesiástica de Belo Horizonte chegou a pedir a condenação do livro, e mandou queimá-lo publicamente.

Na principal matéria da edição deste mês da revista Catolicismo [link abaixo], os leitores podem apreciar um elenco das repercussões obtidas pelo corajoso brado de alerta contra a revolução progressista então nascente. E entenderão o motivo de Em Defesa da Ação Católica ter sido uma obra providencial, fundamental contra a terrível crise que se introduziu na Igreja.

Rascunho da carta redigida por Plinio Corrêa de Oliveira em agradecimento a Mons. Montini (futuro Paulo VI) pela missiva de aprovação ao seu livro Em Defesa da Ação Católica.

PS: Segue a tradução de um trecho da carta do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a Mons. Montini, redigida em francês, no dia 19 de março de 1949:

“Redigi meu trabalho com o único desejo de dar a conhecer as sábias orientações da Santa Sé sobre a Ação Católica, e as defender contra as interpretações realmente perigosas. Nada, portanto, poderia me tocar tão profundamente quanto saber que meu livro foi honrado com a augusta aprovação do Sumo Pontífice. […] Queira Deus me conceder a graça de servir ao Santo Padre a cada momento de minha vida, e derramar meu sangue por ele, se alguma vez surgir a oportunidade.”

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http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0811/p26-27.html

 

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