O entretenimento sombrio da Roma pré-cristã

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O mundo antigo é, muitas vezes, mal interpretado como um momento de iluminação. Embora este mundo tenha contribuído bastante para a ascensão do Ocidente, e para a civilização em geral, há capítulos escuros que são esquecidos.

Uma deles é a extensão da morte de escravos e cidadãos, na Roma antiga, em nome do “entretenimento”. Aqueles que frequentaram circos romanos viram a morte de milhões de pessoas. Esses espetáculos só foram proibidos com a ascensão dos imperadores cristãos, no século IV.

O historiador Rodney Stark cita, como exemplo, uma celebração especial em 108-109 d. C., em que o imperador Trajano empregou 10 mil gladiadores e 11 mil animais selvagens num festival de matança selvagem, que durou 123 dias.

Stark continua seu comentário, colocando a questão em perspectiva. Ele observa: “Estima-se que pelo menos 200 mil pessoas morreram no Coliseu. Parece bastante conservador estimar que uma média de, ao menos, 10 mil teriam morrido em cada um dos 251 anfiteatros; ou outros 2,5 milhões. Tudo isso por diversão”.

Os mortos não eram apenas escravos ou criminosos, mas poderiam ser qualquer pessoa. Para o seu entretenimento, Nero forçou as esposas dos senadores a lutar e morrer como gladiadores. Stark cita outro exemplo de espetáculo em que o fornecimento de criminosos condenados – a serem mortos pelas feras – acabou. “O imperador Calígula ordenou que várias das primeiras fileiras de espectadores fossem jogados às feras e, assim, se deu” (Rodney Stark, How the West Won: The Neglected Story of the Triumph of Modernity, ISI Books, 2014, Wilmington) 1.

1 Título do livro: “Como o Ocidente Venceu: A História Negligenciada do Triunfo da Modernidade”, em tradução livre.

(Tradução: Fabio Ramos)

Fonte: http://www.returntoorder.org/2014/05/pre-christian-romes-dark-entertainment/