O gato socialista

Lendo o noticiário nacional dos últimos tempos, lembrei-me de uma poesia que recentemente encontrei no computador, a qual encantava um colega socialista, em meu distante curso secundário. É de autoria de um notório esquerdista, C. A. Trilussa, e se intitula “O Gato Socialista”:

Um gato, conhecido socialista,
No fundo, espertalhão matriculado,
Estava devorando um frango assado
Na residência de um capitalista

Eis então que outro Gato apareceu
Na janela que dava para a área:
– Amigo e companheiro, também eu
faço parte da classe proletária!

Melhor do que ninguém, conheço as tuas ideias.
Estou mais que certo pois
De que dividirás o frango em duas partes,
uma para cada um de nós dois!

– Vá andando, resmunga o reformista,
Nada divido seja com quem for,
Em jejum, sou de fato socialista,
Mas, quando como, sou conservador!

Não desejo visar ninguém transcrevendo esta poesia. Qualquer semelhança com coisas que acontecem na atual vida política brasileira é mera coincidência…

Mas todos os socialistas serão assim interesseiros? Respondo: talvez não. Alguns seriam piores, pois fazem o mal por convicção. Imagine dois malfeitores, um que o é por dinheiro, outro que o faz o que faz por ódio e por vontade própria. Consciente e voluntariamente. Qual dos dois é pior? Evidentemente, o segundo. Esta é a minha primeira ressalva a esta poesia, escrita aliás por um socialista, que sabe do que está falando.

Outra ressalva: conservador  autêntico não é como o que fica insinuado na poesia, mas sim alguém que defende com idealismo a doutrina social católica ‒ o direito de propriedade, a livre iniciativa, o papel meramente supletivo do Estado, a moralidade pública. Se assim for, eu mesmo espero ser um deles. E, ademais, contra-revolucionário, no sentido do livro “Revolução e Contra-Revolução”, do prof. Plinio Corrêa de Oliveira.