Aborto e Pena de Morte

 

Vivemos num mundo cheio de paradoxos. Há pessoas, por exemplo, que são contra a pena de morte, mas a favor do aborto.

Embora o aborto e a pena de morte matem pessoas, há uma diferença fundamental: enquanto o aborto mata uma pessoa inocente, a pena de morte mata o criminoso irrecuperável que se tornou um grande perigo para a sociedade.

Na pena de morte, o criminoso tem todos os direitos à ampla defesa até o julgamento e a pena capital. E a sua morte, em muitos casos, pode representar uma possibilidade de salvação da própria alma. Ele poderá se arrepender, se confessar e ter a salvação eterna, o que provavelmente não aconteceria se continuasse vivo.

Com o aborto, pelo contrário, a vítima é um inocente condenado pela própria mãe, sem nenhum direito à defesa. A ele também se negam todos os sacramentos e, em consequência, não vai para o Céu. Seu destino post-mortem é o limbo, para onde vão os justos que morrem sem receber o batismo. Ali eles não sofrem, mas estão privados da visão beatífica.

O aborto não deixa de ser homicídio mesmo legalizado

Os abortistas alegam que o aborto é um problema de saúde pública cujo objetivo é salvaguardar a vida das mulheres. Além disso, apresentam cifras astronômicas impactantes de abortos clandestinos que teriam levado à morte de “milhares” de mães desprovidas de dinheiro para pagar uma clínica normal para fazer o aborto. Tais cifras não constam em nenhuma estatística oficial. Apenas alegam que são milhares.

O aborto é um pecado que brada aos Céus e clama a Deus por vingança. Os abortistas querem descriminalizá-lo. Entretanto, sua “legalização” não lhe tira o caráter de homicídio. Seria o mesmo que descriminalizar o latrocínio, por exemplo. O aborto continuará a ser uma transgressão à Lei de Deus, sob a qual devem estar sujeitas as leis do Estado. Médicos e enfermeiras, parentes e amigos que favorecem um aborto, incorrem em excomunhão latae sententiae, isto é, automática.

O exemplo de uma mãe católica   

Da. Lucília Corrêa de Oliveira com seu filho, Plinio, ao colo.

O argumento de que o aborto tem por objetivo salvar a vida da mulher em risco de morte também não se justifica. A mãe verdadeiramente cristã, posta diante da alternativa de morrer ou salvar o filho, certamente preferirá morrer. Foi o que fez uma dama paulista, no início do século passado. O médico lhe anunciou a complexidade do parto e que provavelmente ela ou o menino morreria. Sugeriu-lhe então o aborto, para não arriscar a própria vida. De modo tranquilo, mas firme, aquela senhora respondeu: ”Doutor, esta não é uma pergunta que se faça a uma mãe! O senhor não deveria sequer tê-la cogitado!” Ela não fez o aborto e o filho nasceu normalmente. Essa senhora foi Da. Lucília Corrêa de Oliveira, mãe de Plínio Correa de Oliveira. Se ela tivesse consentido no aborto, o mundo e a Igreja teriam perdido um dos maiores líderes católicos dos últimos tempos.[1]

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Para cada pessoa Ele tem um plano e cada um de nós é chamado a espelhar uma pequena faceta do Criador. O aborto ceifa a vida dos inocentes e também o plano de Deus em relação à pessoa abortada. Talvez por isso, o ex-satanista convertido ao Catolicismo, Zachary King, disse que o aborto é um dos pilares dos ataques de Satanás contra Deus e a humanidade.

Graves problemas psíquicos da mulher que aborta 

Por afrontar a Deus diretamente, o aborto provoca nas mães que o praticam problemas psicológicos muito graves. É o que revelam diversos estudos:

A psiquiatra e psicanalista Dra. Gilda Paoliello, integrante da diretoria da Associação Mineira de Psiquiatria e professora da residência de psiquiatria do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), diz que o aborto produz na mulher um “sentimento de culpa, muitas vezes irreversível, levando a uma autocondenação sem apelo.” Segundo ela, essa posição de autocondenação se relaciona com grande incidência de sintomas depressivos e abuso de álcool e outras drogas. “Elas vivem também o transtorno de estresse pós-traumático, com vivências de flashbacks do ato do aborto, vivências persecutórias e ideação suicida em torno de 40% dos casos. Muitas vezes, o sentimento de culpa compromete indelevelmente a vida afetiva da mulher, provocando ‘gravidezes de substituição’, com prejuízo nas ligações maternas posteriores” – explica.[2]

Por sua vez, a ginecologista e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) , Dra. Alamanda Kfoury, afirma que mais da metade das mulheres que abortam tem “dificuldades de se relacionar no futuro e carrega uma culpa gigantesca. As consequências são várias, de médio a longo prazo. É uma situação tão difícil que, às vezes, o parto seria mais fácil”.[3] (grifo nosso)

Segundo informa o jornal britânico The Daily Mail, as mulheres que fazem abortos têm quase o dobro de risco de desenvolver problemas mentais do que as demais pessoas. A pesquisa descobriu que o aborto afeta a saúde mental e pode causar ansiedade, depressão, alcoolismo, abuso de drogas e suicídio. O estudo foi baseado em uma análise de 22 projetos separados que avaliaram as experiências de 877 mil mulheres, das quais 163,831 tinham abortado. Os resultados apontaram que as mulheres que se submeteram ao aborto tiveram um risco 81% maior de problemas de saúde mental e quase 10% das doenças mentais mostraram ligação direta com o ato.

A pesquisa concluiu que o aborto estava relacionado a 34% de aumento de chances de transtornos de ansiedade, 37% de depressão, 110% de aumento de risco do abuso do álcool, 220% do uso de maconha e 155% mais chances de a mulher cometer suicídio.[4]

Castigos divinos

 “Abyssus abyssum invocat” (Salmos 42.7) – um abismo atrai outro abismo. Assim, no bojo da legislação que descriminaliza o aborto virão também a eutanásia e o infanticídio, como os praticados em certas comunidades indígenas brasileiras. Permitir a aprovação de uma lei que descriminalize o aborto será um pecado coletivo da Nação, podendo atrair castigos divinos. Isto porque as nações – diferentemente dos indivíduos, que terão o Juízo Particular – são recompensadas ou punidas aqui na Terra. Deus não se limita a castigar individualmente os homens por sua prevaricação. Quando esta se toma de tal maneira generalizada, a ponto de ser praticada pela maioria maciça da humanidade – ou mesmo de um povo ou dos habitantes de certa região ou país – com requintes de malícia e de impenitência, o Criador pune tais pecadores com grandes castigos coletivos. Ou então ameaça puni-los, caso não se convertam.

“Na Sagrada Escritura são incontáveis as ocasiões em que Deus manifesta sua intenção de punir o povo por seus maus costumes e/ou pelas falsas doutrinas que abraçaram.

“Não foi outro o motivo pelo qual castigou a humanidade com o dilúvio e, mais tarde, com a confusão das línguas e a dispersão (cfr. Gn 6 e 11).”[5]

Que Nossa Senhora de Fátima ilumine os nossos Juízes e legisladores e afaste de nós esse terrível espectro!

[1] https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Cruzado0104.htm

[2] https://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2013/04/16/interna_tecnologia,372063/aborto-deixa-sequelas-psicologicas.shtml

[3] Idem

[4] https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/mulheres-que-abortam-tem-mais-chances-de-ter-problema-mental,9c098c3d10f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html

[5] http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/BD1F0DB4-3048-560B-1C50D9C49169BE33/mes/Setembro1995